segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Alcântara

«A MENSAGEM ESTÁ NAS PAREDES»
- crónica de Alexandra Prado Coelho,na «Revista 2» do Público, de 02-12-2012,  - ilustração de João Catarino

 

domingo, 18 de novembro de 2012

Avenida da Liberdade - Eça e O´Neill

[«relocalizado» o primeiro vídeo da série «lugares bem lidos», do DN]

- AQUI

Avenida da Liberdade - (Hotel) Vi(c)tória



O arquitecto Cassiano Branco desenhou uma fachada inusitada, num edifício que, desde a sua construção nos anos 1930, sempre se destacou no meio de uma Avenida da Liberdade mais clássica.


Ilustração de Eduardo Salavisa para a Crónica «Nazis e Comunistas na Avenida», de Alexandra Prado Coelho, na «Revista 2» do Público, 18-11-2012


AQUI

Recorte:
O Victória tinha "instalações modelares de rara comodidade, com todo o conforto", às quais se somava, a acreditar num anúncio da época, um "grande terraço com emocionante vista dominando toda a cidade". [...]
Ao que parece, o conforto do Victória convenceu os espiões alemães, que, durante a II Guerra Mundial, andavam atarefadíssimos por Lisboa, e, nos intervalos, gostavam de descansar nos quartos, no bar e no restaurante. Conta ainda o Restos de Colecção [blogue que «informa» a Crónica] que dos hotéis pró-Eixo, em que se incluíam o Avenida Palace e o Tivoli, era o Victória  o considerado mais perigoso pelos americanos.


sábado, 10 de novembro de 2012

Terreiro do Paço - Reconstruído

Vídeo do projeto internacional que recria a Lisboas de antes de 1755 - 

 "Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa Pré-Terramoto" - desenvolvido por uma equipa coordenada pelos historiadores Alexandra Gago da Câmara, Helena Murteira e Paulo Rodrigues, investigadores do Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora, que conta com a parceria da empresa Beta Technologies.  [transcrito do artrigo do Expresso]

Vídeo reproduzido no Expresso

ARTIGO --------              AQUI

[Abrir no «Vimeo» e ver também, entre outros Doc., a «Modelação» da «Real Ópera do Tejo»]

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rua de S. Paulo

O poema de Alegre, já nesta Casa Colocado, regressa, hoje, agora em mais um vídeo da série «Lugares Bem Lidos» - «Os cheiros e os sons do Oriente em Lisboa», no endereço eletrónico do Diário de Notícias: AQUI
 
 

sábado, 6 de outubro de 2012

Lisboa, de Campos, por Júdice


Lisboa com suas casas de várias cores,
Lisboa com suas cores de várias casas,
Lisboa de tantas cores, Lisboa de tantas casas.

Lisboa que acorda do Rocio ao castelo,
Mais tarde ou mais cedo, ao acordar dos cafés,
Mais cedo ou mais tarde, ao acordar nos bares,

Lisboa de tabernas que já fecharam,
Lisboa bêbeda em alfamas de outrora,
Lisboa de carne e de pedra.

Nuno Júdice
AA.VV., Histórias do Castelo, Edição EGEAC-Castelo de S. Jorge, 2010

Lisboa com suas casas / De várias cores - Campos

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores ...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.


Se, de noite, deitado mas desperto
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.


Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.


11-05-1934

Álvaro de Campos

Acordar, Lisboa - Campos

[alguns destes versos citados, desta vez, em mais um  álbum de Eduardo Gajeiro, sobre Lisboa, recentemente editado e que T. folheou ontem, na FNC - «não há verba, não há»]
 
[com cortes; ver, «quase completo», por exemplo, no «MULTIPESSOA»
 
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da rua do Ouro
Acordar do Rossio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, a gare que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.
 
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo
[...]          (...)
 Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne.
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode
acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
[...]          (...)
 
A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.
 
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
[...]

[não datado]
 
Transcrito das páginas 97 e 98 da edição da poesia de Campos organizada por Teresa Rita Lopes para a Assírio & Alvim, 2002
 
 
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lisboa - «City Box»


T. subscreve tal mapa - Santa Catarina (até aos 17, 18); Santa Justa (entre os 20 e os 25, 26); Senhora do Monte (dos 41 «para cá...»)  - well
- de Catarina Sobral, Ilustradora, «O mundo das texturas literárias», de C. S. - «captado» no P3 - AQUI


 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Lisboa de Cesário e de Sophia


CESÁRIO VERDE

Quis dizer o mais claro e o mais corrente
Em fala chã e em lúcida esquadria
Ser e dizer na justa luz do dia
Falar claro falar limpo falar rente


 Porém nas roucas ruas da cidade
A nítida pupila se alucina
Cães se miram no vidro de retina
E ele vai naufragando como um barco


 Amou vinhas e searas e campinas
Horizontes honestos e lavados
Mas bebeu a cidade a longos tragos
Deambulou por praças por esquinas


Fugiu da peste e da melancolia
Livre se quis e não servo dos fados
Diurno se quis porém a luzidia
Noite assombrou os olhos dilatados


 Reflectindo o tremor da luz nas margens
Entre ruelas vê-se ao fundo o rio
Ele o viu com seus olhos de navio
Atentos à surpresa das imagens

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Ilhas, 1990

domingo, 16 de setembro de 2012

Lisboa de Cesário e de Eugénio

[abre amanhã mais Uma Estação;- o Agricultor estará no seu Campo;
- nunca foi Fácil; muito menos em tempos de «descartáveis»]

[e há o reencontro com os textos de outras, anteriores Estações]

EM LISBOA COM CESÁRIO VERDE

Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que um gato persa;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo, em flor também;
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu sei já bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
de um verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua.


1986

Eugénio de Andrade, Homenagens e outros epitáfios [1.ª ed: 1974]

Transcrito das páginas 249-50 da Poesia, 2000

 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lisboa remota

[Transplantado do «Alpabiblio»]


III
As suas mais remotas imagens
de Lisboa: casas cor-de-rosa, afogueadas pelo Sol;
varandas confusas; nítidos degraus;
luzes de eléctricos, ao crepúsculo,
a fazerem dançar a névoa
sobre carris humedecidos.

David Mourão-Ferreira, Auto-retrato - primeiros traços
(transcrito de Jogo de espelhos, 2.ª ed, 2001

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Rua do Carmo

- Nativo de S. Paulo, G. circulava pelas ruas dos Territórios vizinhos;

- Lembra-se bem do  «sr Praças», já bem idoso - Marceneiro cujo tranquilo labor o Menino G. observava, na Oficina de porta aberta - atulhada de móveis, de pó... da Calçada Salvador Correia de Sá   [onde, no 13, D. nasceu...]

- o filho mais velho - A. C. - que «trabalha há 43 anos na Rua do Carmo» - agora na «Dona Elvira» aí estacionada, após o grande incêndio (que destruiu tb. a loja da - «Melodia»?) [...] em 25 - 08 - 88 - está cada vez mais parecido com a Imagem que G. conserva do pai «Praças» [é o primeiro que lê, no vídeo...]

  - AQUI     (o vídeo «já foi à vida» - estes Arquivos não são Eternos; pois é)

domingo, 19 de agosto de 2012

S. Paulo - Conservatória

Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Fotográfico - Público, 19-08-2012, p. 32
- À Casa da Moeda - aqui retratada no início do Século - G., ainda Menino na década de 60 - já a «frequentou» como Conservatória [do Registo]Automóvel
- grande era (ainda) o Analfabetismo e A. L. - tio por «afinidade» - que levava G. a passear pela «beira Tejo», ali tão perto, e lhe «dava lições de Vida» - vivia de «biscatear» o preenchimento dos Impressos, fazendo «escritório» na Baiuca do Pai Velho
-  G. fazia o «Vaivém», atravessando a rua, primeiro, a meio da manhã, a «recolher» os pedidos, depois, a levar os almoços, recolher a loiça e receber [havia «gorjinhas», para comprar «bonecos da bola»]- enquanto esperava, «abria os olhos» - funcionários de baixos salários tinham carros e vivendas...
- Well
- cedo se fez Analista

domingo, 29 de julho de 2012

Rua dos Lagares, Mouraria

[Zmab]

«Esta Lisboa de outras eras»,
Crónica de Alexandra Prado Coelho, Ilustrações de  Eduardo Salavisa.
Público, «2», 29 - 07 - 2012, p. 

Protagonista: Fernando Baguinho, sapateiro, 78 anos.

Recortes:
[,..]  Na escola encantava-se com a Geografia e sobretudo com a História de Portugal. Volta-se para trás e de uma prateleira tira um pesado álbum que começa a folhear. Todos os reis portugueses estão ali representados no estilo inconfundível dos quadros do senhor Baguinho: um desenho recortado de algum sítio, uma moldura de cartolina desenhada por ele e uma quadra a propósito. E a História de Portugal assim resumida. [...]
      Lembra-se da mulher da fava-rica, de manhãzinha pelas ruas a apregoar. E tem dezenas de quadros com todos os pregões de Lisboa, [...]
       A Lisboa que já desapareceu continua viva nas paredes da loja de sapateiro do senhor Baguinho. Há imagens do Arco do Marquês do Alegrete, destruído nos anos 40 para dar lugar à actual Praça do Martim Moniz, do Teatro Apolo, demolido no final dos anos 1950, do velho mercado da Praça da Figueira, “praça de grande saudade, muito ao gosto popular”, [...]
       Nunca se afastou muito dali. Viajou entre ruas da Mouraria, da Rua João do Outeiro, “berço da minha saudade”, [ ...] As histórias sucedem-se e é como se as ruas lá fora se enchessem de sons — os pregões da mulher da fava-rica, Fernando Maurício a cantar o fado, Belarmino a jogar boxe no clube, [...]

terça-feira, 24 de julho de 2012

Janelas

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no céu não se desvia,
mas que perto do rio já não voa…
[…]

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal ou a arte de amar (1.ª ed: 1962),
da p. 173 da 2.ª ed. de Obra poética, 1948-1988

terça-feira, 3 de julho de 2012

Glória (Calçada e Ascensor)

A)
[entre  Outubro de 76 e Abril de 78, depois da meia-noite, o percurso:
Rodrigues Sampaio - Avenida da Liberdade (a ziguezaguear pelos «ofertantes» de Liamba e afins) - Calçada da Glória - A PÉ, claro - S. Roque, Rua do Mundo ou da Misericórdia - Camões, Loreto; Duarte Belo, S. Paulo]
B)
[entre Abril de 87 e Dezembro de 89 - tarde e noite - a ouvir o  CHIAR  do ASC,  do Bar do H. S. A. - poiso para fazer finalmente uma FAC - mas não num só ano, como certos I.]

Com a célebre canção (87!) dos Radio MACAU - mais uma vez, da série «Lugares bem lidos», do Diário de Notícias]

 - «SUBIR»,  por AQUI



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Tejo - Estuário - Almada e Torga

Da série «Lugares bem Lidos» , do Diário de Notícias
(«o Rio  que o País merecia»)

http://www.dn.pt/videos/programa.aspx?content_id=4236365&seccao=lugares%20bem%20lidos

Rua da Bica de Duarte Belo

- aproximadamente entre os 5-6 e os 9-10 - terá sido? - perguntar à C. (mais 6 anos) - R. morou «lá mais para baixo» -
- há Imagens, poucas -
- no n.º 13, 2.º ou 3.º andar, seja como for, com varanda para o Tejo-
onde o Menino, horas a fio, aprendia a «ser sozinho»


B. S. colocou a fotografia - sua, dela, em princípio -
e um «cinemático rascunho» que merece ser lido: MUSA

quarta-feira, 9 de maio de 2012

«Santa Justa» - José Luiz Tavares

Ascensores, Lisboa tem 3;
- para qual deles remeterá o poema, o soneto, de José Luiz Tavares, poeta cabo-verdiano?;
- G. arrisca que sabe*

12.

Já não sobem varinas de ginga e canastra
neste elevador. Mas vai a gente em altiva
arribação, manso ronrom de roldana já gasta,
a astúcia das mãos mantém a atenção viva,


que sempre foi o desvelo pelo alheio sageza
que prescinde de anúncio. Confiável estafeta
da solidão, prossigo no encalço duma esbelteza
nórdica, inda um aviso em forma de tabuleta


rezasse: “cuidado, a beleza mata.” Mas eu
durmo nos telhados da dor, com uma
cidade em gangrena, pois já está salvo


o que com  a própria língua sustém o céu.
Não dói muito a ausência de relva ou caruma
quando a urbe inteira se estende assim em alvo.


José Luiz Tavares, “Lisbon Blues”, in Relâmpago, n.º 20, 2007


*... errou; é o de Santa Justa; quer na edição brasileira [...]. quer finalmente na portuguesa, da Abysmo (com ilustrações de Pierre Pratt) vem identificado...(p. 99, 11.º na secção «Último Cabo»

terça-feira, 8 de maio de 2012

Largo do Carmo - Cardoso Pires

Da série «Lugares bem lidos» do DN

- SEGUIR por AQUI


Largo do Carmo

(contém o recorte lido no vídeo)

[...]É possível definir Lisboa como um símbolo. Como a Praga de Kafka, como a Dublin de Joyce ou a Buenas Aires de Borges. Sim, é possível. Mas, mais do que as cidades, é sempre um bairro ou um lugar que caracterizam essa definição e a fidelidade tantas vezes inconsciente que lhes dedicamos. O Chiado, neste caso. A sua geografia cultural, o seu resplendor diurno, a paz provinciana das suas ruas à noite, tanta coisa, tanta coisa.
[...]
E se desço alguns metros e me vejo no Largo do Carmo, com o chafariz ao centro salpicado de passarinhos, então alguma coisa muito vertical me suspende por inteiro porque foi nesse lugar que vivi o momento mais comovedor da minha vida de cidadão. Largo do Carmo do ano de 74, quem o pode esquecer? Era primavera e a capital proclamava a Revolução dos Cravos diante dos donos da Ditadura encurralados num quartel.
Volto lá vezes e vezes depois do incêndio. As chamas não chegaram até ali, pombas minuciosas cobrem o largo e ouve-se água a correr. Chiado, a paz depois do tumulto. Que feliz um lugar como este que, apesar de sismos e de chamas, teve a fortuna de ser o palco da hora que libertou o país.
Olho e recordo, mas há uma parte dele que está desfigurado para sempre. E isso dói, não esquece. Quando aquelas cicatrizes se tiverem fechado como será este rosto de mim mesmo?

José Cardoso Pires. Lisboa Livro de Bordo - vozes, olhares, memorações. 4.ª ed., Lisboa, D. Quixote, 1998, (1.ª: 1997), pp. 74-75

Largo de Camões - Manuel Alegre

do novo livro de Manuel Alegre: - Nada está escrito

LARGO DE CAMÕES

E sempre que alguém volta és tu ainda
vens de Ceuta e da seta e da Índia e Macau
de lira enrouquecida e pala preta
és tu ainda e o nosso nome é Jau
corta-te o Paço a tença e o frade o verso
a pátria agradecida te deserda
vais pelas ruas de Lisboa de muletas
e os pombos enchem-te de merda
no Largo do teu nome no país dos poetas.

Manuel Alegre, Nada está escrito. Lisboa, D. Quixote, 2012 (Abril), p, 76

[múltiplos Ecos: do próprio L. de C., de Sophia, de Sena...]

Rua de São Paulo - Manuel Alegre

- entre os 9 - 10 e os 23 - 24, aí viveu G., no 3.º andar
( - de 4 + «Águas - Furtadas» - ) do Prédio Pombalino «colado» ao Ascensor da Bica (outras histórias)

do novo livro de Manuel Alegre: - Nada está escrito

RUA DE SÃO PAULO

Em certas ruas de Lisboa cheira a Índia.
Na Rua de São Paulo por exemplo
a certas horas pode navegar-se
pela rua como em nenhum mar. Então
cheira a pimenta e a canela. E ao cheiro dela

Lisboa ainda se despovoa mesmo que
dela apenas se parta não partindo
ou caminhando pela Rua de São Paulo
até chegar àquela estrofe onde se avista
a Índia que só há dentro de nós.

Manuel Alegre, Nada está escrito. Lisboa, D. Quixote, 2012 (Abril), p, 70

Lisboemas, porque...

G. só esteve «exilado uma vez», na margem Sul - no Lisnavetão - mas foi uma (das) Vidas - durante cerca de 18 anos - de Junho de 79 a Agosto de 96

Quando, em setembro de 96, veio para a Penha, repetia a General Z, provocando-a, que
«regressava a Casa, finalmente, nada mais era preciso para ser [...]»

Confirmou-se. Assim tem sido.

(mais uma divisão na Casa - esta «anti-apaga-apaga» - dedicada à Princesa Lisboa)

Aleluia