segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Ribeira das Naus

fotografado da «Estampa»
- a última «estampa» da Coleção do DN, com fotos de 1948, em «confronto» com actuais...
- texto que as acompanha:
"Em 18 de Agosto de 1948, o DN anunciava a abertura da nova Avenida da R. das N. [...] Era tanta a pressa de aliviar a paralela Rua do Arsenal, congestionada pelos eléctricos, que foi inaugurada sem estar ainda toda pavimentada. Era verão e a Câmara mandou um autotanque para, à mangueirada, pousar a poeira... A Avenida "mordia" em terrenos do Arsenal da Marinha, abrindo-os para a solução actual, que os recuperou para passeio público. Duas fotos, dois momentos, um mesmo fado, juntar o Tejo a Lisboa."

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Eléctrico 28

Lusa, Mário Cruz




Fotografado a caminho da Graça, com Mural [de Shepard Fairey] 
em «fundo» 
- de artigo do Público 


sexta-feira, 2 de junho de 2017

«Lisboa, Menina e Moça...»), por R. A. P.

ILUST. de João Fazenda («Ex-AA»)
- lida hoje, na habitual página da Visão - em pastiche sarcástico com o famoso poema de Ary dos Santos

- COMP, AQUI

Recortes:
No Castelo ponho um cotovelo mesmo em cima da casa da Monica Belluci, em Alfama descanso o olhar no apartamento do Michael Fassbender,  [...]  À Ribeira encosto a cabeça, almofada da cama do Tejo repleto de navios de cruzeiro, [...] Lisboa menina e moça, menina, da luz que os meus olhos vêem, tão pura, embora ligeiramente obscurecida pelo fumo dos tuk-tuks, teus seios são as colinas, varina cujo nível de vida piorou [...] Cidade a ponto-luz bordada, toalha à beira-mar estendida sobre a qual turistas ébrios curam ressacas. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida [...]No Terreiro eu passo por ti e posso adquirir várias bugigangas em cortiça, [...] Mas na Graça eu vejo-te nua, [...]És mulher da rua porque até às três não vale a pena ires para casa, [...] . E no bairro mais alto do sonho, aquele em que mora o Éric Cantona, ponho um fado [...]Lisboa no meu amor deitada, pagando 350 euros por dormida, cidade por minhas mãos despida para pôr o vestido à venda numa loja de roupa vintage do Bairro Alto. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida com rendas pela hora da morte.
(Crónica publicada na VISÃO 1265, de 1 de junho de 2017) [sublinhados acrescentados]

domingo, 19 de março de 2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Santa Justa (Elevador) - Ana Marques Gastão

[o livro é de Setembro de 2015; foi um dos que a General Z., há tempos, «determinada»,  «despejou», 
da (mesa) da Sala, para o Pavimento do ESC...; só agora foi «relocalizado»... (ah, e, nos últimos 8 anos, o poder de aquisição de  J. tem sido tão baixo...) ; POIS É]

ELEVADOR

O de Santa Justa tem unhas e olhos de
púrpura, não se rende aos pecados dos
homens e, como um monstro, lança os
braços pelas janelas e deixa-se cair pela
escadaria que dá para o Ouro e a Prata.
Cintilam degraus sem glória, graças aos
cabelos de motor na cidade submersa.

Ninguém suporta a estreiteza do espaço
ouvem-se bramidos por dentro do metal, 
o amor gira em controvérsia sabendo que
tudo nele se fundou e logo se desfaz. Algo
detém o homem e a mulher no seu He He
de altura da dor, da largura da falta, do pão
fresco ausente. Ela é perfume virtual. Ele,
já a partir, parece, um avião de asas-cruz.

Ana Marques Gastão, L de Lisboa, 2015, Assírio &  Alvim, p. 46

domingo, 12 de março de 2017

«RUA DA ROSA: O POMBO» - F. A. P.

[J. foi à estante «Nobre», buscar A Musa Irregular, para (re)verificação de «As Balas»...; e estava este outro marcado com «p-it», de outra «ocasião»...; qual, não se lembra, nem porquê, claro ...]

RUA DA ROSA, LISBOA: O POMBO

Se o galo gala o pombo pomba? este pombava
ao sol das três da tarde lisboeta num passeio da Rua da Rosa
senhor de si não digo nem arrogante mas com alguns 
                                                       direitos v. g. do apetite
pombava enquanto carros subiam em segunda aí está cauteloso
o peito inflado as penas do rabo num leque amorável sendo
nele tudo isto a «a procura de Deus derramado na urbe» 
                     a vinte e dois anos e  meio do fim do mundo
ó futurólogos que não me largais

preciso para o voyeur: pombava e dançava e nos intervalos
céleres da dança pombava ainda apesar de tudo obsequioso
com a fêmea não fosse ela sôbolos pneus que rodam
rua acima ficar-se como a amiga de Ignacio Morel (in Ramón J. Sender)

igual a mim quando pombo ia pombando este pois que se trata
de a buscar sempre mesmo repetida
de uma geração a outra aquilo que é soberbo o amor a novidade 


Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso, 1980, transcrito da p. 117 de A Musa Irregular, 1991

sexta-feira, 3 de março de 2017

Rua Luís Monteiro

- é aí que J. estaciona, a dois passsos da Escola do Paraíso, e no tempo da saída de alguns dos moradores, até agora, sem «Emel» 
- a arq. A. B. confirmou que a Ruína foi um «Lavadouro Municipal...»

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Rua Garrett, 37: Querubim Conventual

Fotos de Miguel Manso
- mesmo cedo, a um domingo, rapidamente o espaço encheu; uma das Oficiantes informou que só tinham aberto a 27 de Janeiro...; 
- passar da Lotaria àquele «mar de Amarelo», com Querubim «em volta» é Obra; o artigo da «Fugas», de sábado, relata a preservação das Placas Cerâmicas...:
[...] Os dois anos de obras foram preenchidos por preocupações para conseguir preservar o património da antiga Casa da Sorte: o resultado de um trabalho “com características únicas” de articulação entre um arquitecto (Francisco Conceição Silva, 1922-1982) e um ceramista (Querubim Lapa, 1925-2016), comenta à Fugas Rita Gomes Ferrão, historiadora da Arte. [...]
 [...] uma "joalharia de bolos" conventuais. [...] = «Estendal de Bombas Colesterólicas», para J.]

domingo, 12 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

João do Rio (praça) - Manuel Alegre

PRAÇA JOÃO DO RIO
OU 
O SEGUNDO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE

Lisboa é esta praça com árvores e com pássaros
melros piscos toutinegras rouxinóis
e barcos inconcretos nos telhados onde
o azul do céu é já um mar do avesso
um reflexo do Tejo ou talvez um
pressentimento de ocidente ocaso Cabo Raso
um navegar só verbo em navio nenhum.
Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que não se vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
Lisboa é esta praça e esta janela
minha nau capitânia sobre o insondável
dentro de casa eu vou de caravela
Bartolomeu Dias neste mar inavegável
não há Índia perdida que não possa ser achada
Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
este embarcar no azul até chegar àquela margem
em cuja linha só o abstrato pensamento passa
a margem única e absoluta não mais que pura imagem
sem precisar sequer sair da Praça
João do Rio número onze quarto direito
onde eu Ulisses vou à proa
além de qualquer cabo e qualquer estreito
em Lisboa por dentro de Lisboa.


Manuel Alegre, Livro do Português Errante, 2001, D. Quixote, pp. 39, 40

Inscrito na pedra - imagem do Sítio da C. M. - DAQUI

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

«Da D. Carlos até ao Chile» - Manuel Alegre

LISBOA COM CESÁRIO E MELANCOLIA

1.
Há uma tal intensidade de Cesário
em certas horas de maior melancolia
que até o arranque de um eléctrico solitário
tem um não sei quê de alexandrino ao fim do dia.

2.
Passeei hoje por Lisboa a pé
como por dentro de um poema de Cesário.
Da D. Carlos até ao Chile
foram estrofes e estrofes de ferragens
bugigangas bulício maresia
com imagens do Tejo de passagem
armazéns onde cheira a especiaria
e gente em cujo rosto há ainda um rastro
um resto de viagem e melancolia.

12.11.93
Manuel Alegre - transcrito da p. 817, da Obra Poética, 2000

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

«Lisboa revisitada» - Castro Mendes

LISBOA REVISITADA

Perdem as casas suas várias cores
e as barcas novas aguardam melhor maré,
à falta de vento.
Deixámo-nos ficar?

Há uma nau que nunca regressou.
Essa será a nossa.


Luís Filipe Castro Mendes, Outro Ulisses regressa a casa, 2016, Assírio & Alvim, p. 15