segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Rua Garrett, 37: Querubim Conventual

Fotos de Miguel Manso
- mesmo cedo, a um domingo, rapidamente o espaço encheu; uma das Oficiantes informou que só tinham aberto a 27 de Janeiro...; 
- passar da Lotaria àquele «mar de Amarelo», com Querubim «em volta» é Obra; o artigo da «Fugas», de sábado, relata a preservação das Placas Cerâmicas...:
[...] Os dois anos de obras foram preenchidos por preocupações para conseguir preservar o património da antiga Casa da Sorte: o resultado de um trabalho “com características únicas” de articulação entre um arquitecto (Francisco Conceição Silva, 1922-1982) e um ceramista (Querubim Lapa, 1925-2016), comenta à Fugas Rita Gomes Ferrão, historiadora da Arte. [...]
 [...] uma "joalharia de bolos" conventuais. [...] = «Estendal de Bombas Colesterólicas», para J.]

domingo, 12 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

João do Rio (praça) - Manuel Alegre

PRAÇA JOÃO DO RIO
OU 
O SEGUNDO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE

Lisboa é esta praça com árvores e com pássaros
melros piscos toutinegras rouxinóis
e barcos inconcretos nos telhados onde
o azul do céu é já um mar do avesso
um reflexo do Tejo ou talvez um
pressentimento de ocidente ocaso Cabo Raso
um navegar só verbo em navio nenhum.
Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que não se vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
Lisboa é esta praça e esta janela
minha nau capitânia sobre o insondável
dentro de casa eu vou de caravela
Bartolomeu Dias neste mar inavegável
não há Índia perdida que não possa ser achada
Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
este embarcar no azul até chegar àquela margem
em cuja linha só o abstrato pensamento passa
a margem única e absoluta não mais que pura imagem
sem precisar sequer sair da Praça
João do Rio número onze quarto direito
onde eu Ulisses vou à proa
além de qualquer cabo e qualquer estreito
em Lisboa por dentro de Lisboa.


Manuel Alegre, Livro do Português Errante, 2001, D. Quixote, pp. 39, 40

Inscrito na pedra - imagem do Sítio da C. M. - DAQUI

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

«Da D. Carlos até ao Chile» - Manuel Alegre

LISBOA COM CESÁRIO E MELANCOLIA

1.
Há uma tal intensidade de Cesário
em certas horas de maior melancolia
que até o arranque de um eléctrico solitário
tem um não sei quê de alexandrino ao fim do dia.

2.
Passeei hoje por Lisboa a pé
como por dentro de um poema de Cesário.
Da D. Carlos até ao Chile
foram estrofes e estrofes de ferragens
bugigangas bulício maresia
com imagens do Tejo de passagem
armazéns onde cheira a especiaria
e gente em cujo rosto há ainda um rastro
um resto de viagem e melancolia.

12.11.93
Manuel Alegre - transcrito da p. 817, da Obra Poética, 2000