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sexta-feira, 19 de julho de 2024

Chiado («o novo incêndio do»); M. E. C.

 - em mais uma Crónica sobre o Tema, M. E. C. considera que a «Morte do Chiado é devida à Fuga dos Lisboetas»;
RECORTE(s): [...]
O problema do Chiado não é a população permanente de turistas: é a falta de lisboetas.
Os lisboetas fugiram. Abandonaram o Chiado. Já não se sentem à vontade. Não conseguem habituar-se a pagar preços exorbitantes, para mais quando há uma família ao lado que diz que é tudo baratíssimo. 
[...]
Os turistas de Lisboa já vêm ver a Lisboa dos turistas. Vêm ver-se a si próprios, num cenário luminoso e quentinho com empregados simpáticos que falam inglês.

- a 18 de Agosto, outra Crónica - «Lisboa prostituída» - sobre o mesmo Tema...; 

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Suissa, Chiado, Lisboa; Portugal, em 54-55

 - artigo sobre artigo de 1955, de escritora americana que viajou por Portugal entre Jan. e Abril de 1954,  claro que interessa a D., nascido nesse ano (de 55); no «Público», Secção «Estado Novo»

As desigualdades na década de 1950 chamaram a atenção da escritora norte-americana Mary McCarthy BERT HARDY/PICTURE POST/GETTY IMAGES

RECORTE:
[...]
"Portugal tem uma enganadora reputação de ser um país onde a vida é barata", lê-se no artigo. "Do nosso ponto de vista", a comida, as roupas, os transportes "são baratos, mas se se quiser comprar alguma coisa importada (uma panela de pressão, um fogão eléctrico, um rádio), ou algo feito numa fábrica moderna, é muito caro, em comparação com os preços em qualquer outro país."
"Quem compra as coisas das lojas do Chiado?", perguntava Mary McCarthy, sem encontrar resposta. "Os estrangeiros", diziam os portugueses; "os novos-ricos", respondiam quase todos. A escritora encontrou, por fim, um alto funcionário que oferecera uma panela de pressão à mulher, para a criada usar e "ver como funcionava". [...]


sábado, 26 de outubro de 2019

«Cheira Bem, cheira a Lisboa», por M. E. C.

- é irresistível trautear a «Velha Música», ao ler-se a Crónica de hoje de MEC...
RECORTE:
[...] Saímos do Largo do Camões pelo Chiado fora, registando melhorias, ausências, novidades e desilusões.
“Aqui era a Pastelaria Marques”, digo eu à Maria João, apontando o que é hoje a Stradivarius. Mas ela é novita e não se lembra da Marques.Maior foi a minha melancolia: era a pastelaria favorita da minha mãe. Eu preferia a Ferrari e não era, como teimava a minha mãe, por causa da marca de automóveis – era por causa dos folhados de carne, dos babás de rum, dos duchaises e dos batidos de morango.
Fomos lanchar à Confeitaria Nacional, o último reduto da velha guarda, onde há bolo-rei à fatia, mesas vazias, empregados exímios, clientes felizes e um mundo inteiro de delícias por provar. [...]