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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

«Lisboa revisitada» - Castro Mendes

- convocar João Zorro, Fiama e Pessoa (Campos e «Mensagem») em seis versos é Obra...

LISBOA REVISITADA

Perdem as casas suas várias cores
e as barcas novas aguardam melhor maré,
à falta de vento.
Deixámo-nos ficar?

Há uma nau que nunca regressou.
Essa será a nossa.

Luís Filipe Castro Mendes, Outro Ulisses regressa a casa, Assírio & Alvim, 2016, p. 15 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lisboa (um gato de) - Vasco Graça Moura

um gato de lisboa

gato manso das velhotas
de alfama e da madragoa
dormitas sem cambalhotas
e nunca leste o pessoa.

quando ronronas não notas
tanto espreitar da patroa
nem quer's saber das gaivotas
voando no céu à toa.

dos peixes só vês as rotas
pela espinha ou quando ecoa
o pregão com cheiro às lotas
onde os despeja a canoa.

és livre e nisso te esgotas
sem remorso que te doa,
e ao peitoril não desbotas
e esta luz não te magoa,

nem vês corvos nem gaivotas
empoleirados na proa,
mas de corvos e gaivotas
faz-se o brasão de lisboa.

Vasco Graça Moura, Poesia 2001 - 2005, Lisboa, Círculo de Leitores

sábado, 6 de outubro de 2012

Lisboa, de Campos, por Júdice


Lisboa com suas casas de várias cores,
Lisboa com suas cores de várias casas,
Lisboa de tantas cores, Lisboa de tantas casas.

Lisboa que acorda do Rocio ao castelo,
Mais tarde ou mais cedo, ao acordar dos cafés,
Mais cedo ou mais tarde, ao acordar nos bares,

Lisboa de tabernas que já fecharam,
Lisboa bêbeda em alfamas de outrora,
Lisboa de carne e de pedra.

Nuno Júdice
AA.VV., Histórias do Castelo, Edição EGEAC-Castelo de S. Jorge, 2010