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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

São Paulo, Cais do Sodré (J. M. F. Jorge)

BES      AGÊNCIA DE SÃO PAULO

Como seria de esperar
os dedos eram ágeis, de um caixa bancário.
Foi na transição do euro
suspendiam-se a contar
hesitantes no reconhecimento do papel
moeda
e logo retomavam o balanceio veloz do roubo.

O escudo - disse-me quando terminou - 
  encontrou a morte no espelho. O dinheiro
gosta de morrer.
Por esta altura
assinava o papel que me estendera. Sorri-lhe. E
ainda me disse
    Não tenha grande pena do escudo, o euro
continua a ser do género masculino. Voltei a
sorrir enquanto lhe devolvia a esferográfica.

Do largo de S. Paulo a caminho da taberna
irlandesa do Cais do Sodré, numa velha 
loja de sementes comprei bolbos de
amarílis e de agapanto. Gastei as primeiras 
moedas novas. Depois, com o cheiro da cerveja
preta ao redor, bebi uma água sem gás.

Entrei no comboio; um dia muito límpido de
janeiro; antes de passar a estação de Santos,
formou-se no céu a negra espiral em voo dos
estorninhos              mais veloz que
o contar das notas do caixa, a
nuvem desfez-se nas altas árvores de um jardim,
semelhante ao furor de um tornado que
em turbilhão se afundasse nas águas do Tejo.

João Miguel Fernandes Jorge, Antologia dos poemas, 2019, pp. 126-127

quarta-feira, 1 de maio de 2013

S. Paulo (as «línguas» que eram pedras»)

[manhã cedo, lá foi T. - Graça, S. Luzia, Sé - pela primeira vez, alcançou a [que virá a ser a Nova] «Ribeira das Naus»
 - «internou-se» mais na sua Geografia de I., e o que viu, à volta da Praça de S. Paulo, deixou-o «triste»...]
[...]
      Por toda a parte se queimava alecrim para afastar a epidemia, nas ruas, nas entradas das casas, principalmente nas casas dos doentes, ficava o ar azulado de fumo, e cheiroso, nem parecia a fétida cidade dos dias saudáveis. Havia grande procura de línguas de S. Paulo, que são pedras com o feitio de línguas de pássaro, achadas nas praias que de S. Paulo vão até Santos, será por santidade própria dos lugares ou por santificação que os nomes lhes dêem, o que toda a gente sabe é que tais pedras [...] são de soberana virtude contra as febres malignas justamente, porque, sendo feitas de subtilíssimo pó, podem mitigar o demasiado calor, aliviar as areias, e algumas vezes provocar suor. [...]

                                        José Saramago, Memorial do Convento, 51.ª ed., pp. 244, 245

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rua de S. Paulo

O poema de Alegre, já nesta Casa Colocado, regressa, hoje, agora em mais um vídeo da série «Lugares Bem Lidos» - «Os cheiros e os sons do Oriente em Lisboa», no endereço eletrónico do Diário de Notícias: AQUI
 
 

domingo, 19 de agosto de 2012

S. Paulo - Conservatória

Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Fotográfico - Público, 19-08-2012, p. 32
- À Casa da Moeda - aqui retratada no início do Século - G., ainda Menino na década de 60 - já a «frequentou» como Conservatória [do Registo]Automóvel
- grande era (ainda) o Analfabetismo e A. L. - tio por «afinidade» - que levava G. a passear pela «beira Tejo», ali tão perto, e lhe «dava lições de Vida» - vivia de «biscatear» o preenchimento dos Impressos, fazendo «escritório» na Baiuca do Pai Velho
-  G. fazia o «Vaivém», atravessando a rua, primeiro, a meio da manhã, a «recolher» os pedidos, depois, a levar os almoços, recolher a loiça e receber [havia «gorjinhas», para comprar «bonecos da bola»]- enquanto esperava, «abria os olhos» - funcionários de baixos salários tinham carros e vivendas...
- Well
- cedo se fez Analista

terça-feira, 8 de maio de 2012

Rua de São Paulo - Manuel Alegre

- entre os 9 - 10 e os 23 - 24, aí viveu G., no 3.º andar
( - de 4 + «Águas - Furtadas» - ) do Prédio Pombalino «colado» ao Ascensor da Bica (outras histórias)

do novo livro de Manuel Alegre: - Nada está escrito

RUA DE SÃO PAULO

Em certas ruas de Lisboa cheira a Índia.
Na Rua de São Paulo por exemplo
a certas horas pode navegar-se
pela rua como em nenhum mar. Então
cheira a pimenta e a canela. E ao cheiro dela

Lisboa ainda se despovoa mesmo que
dela apenas se parta não partindo
ou caminhando pela Rua de São Paulo
até chegar àquela estrofe onde se avista
a Índia que só há dentro de nós.

Manuel Alegre, Nada está escrito. Lisboa, D. Quixote, 2012 (Abril), p, 70