sexta-feira, 17 de março de 2017

Santa Justa (Elevador) - Ana Marques Gastão

[o livro é de Setembro de 2015; foi um dos que a General Z., há tempos, «determinada»,  «despejou», 
da (mesa) da Sala, para o Pavimento do ESC...; só agora foi «relocalizado»... (ah, e, nos últimos 8 anos, o poder de aquisição de  J. tem sido tão baixo...) ; POIS É]

ELEVADOR

O de Santa Justa tem unhas e olhos de
púrpura, não se rende aos pecados dos
homens e, como um monstro, lança os
braços pelas janelas e deixa-se cair pela
escadaria que dá para o Ouro e a Prata.
Cintilam degraus sem glória, graças aos
cabelos de motor na cidade submersa.

Ninguém suporta a estreiteza do espaço
ouvem-se bramidos por dentro do metal, 
o amor gira em controvérsia sabendo que
tudo nele se fundou e logo se desfaz. Algo
detém o homem e a mulher no seu He He
de altura da dor, da largura da falta, do pão
fresco ausente. Ela é perfume virtual. Ele,
já a partir, parece, um avião de asas-cruz.

Ana Marques Gastão, L de Lisboa, 2015, Assírio &  Alvim, p. 46

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