[ o quinto dos cinco poemas traduzidos por L. F. P. P. e ontem colocados na sua Casa - Do Trapézio sem Rede»)
Lisboa
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora! / Tomam por outra parte os viandantes; / E o ferro e a pedra - que união sonora! - / Retinem alto pelo espaço fora, / Com choques rijos, ásperos, cantantes. «Cristalizações», Cesário Verde
[ o quinto dos cinco poemas traduzidos por L. F. P. P. e ontem colocados na sua Casa - Do Trapézio sem Rede»)
Lisboa
- entre Outubro de 81 e 31 de Julho de 83, D. oficinou na Travessa dos Inglesinhos (M. - B., decorada por Isabel da Nóbrega, para a Dupla Oliveira - Antunes, da V. da M., onde S. almoçava quase todos os dias, vindo de Casa, da Rua da Esperança...); [em 2002, no ANIV. de J., na nova TRAV., no CONV. das Bernardas, ainda era ANT. que ...; agora, em AGO de 22, no passeio com a General e M., avistou-se «uma sombra»...
- na novel «Mensagem», artigo - roteiro necessariamente reduzido ("um passeio") sobre essa LX Saram., tanto na Ficção como no Mundo Empírico [...]
- pelas 9, o «enevoado» permitia a descida até ao Martim Moniz (propalado «Roteiro Cosmopolita-Inclusivista»...); alternadamente, Estabelecimentos Turísticos e Estabelecimentos Abandonados (estes, a serem transformados em mais daqueles...); quanto ao Martim Moniz, Praça Central (onde «em tempos» havia «estatuetas históricas» e Repuxos...), não será propriamente «a cereja..».; é ir lá, «ver para crer»**...; (Lx é uma Cidade Pequena..., em cada Esquina...; o que faltará?)
** [final de Outubro: «vaga mig. Timorense» tem surgido nos meios de Comunic....]
- é o verso de Campos, de «Lisbon Revisited» (a Fortuna, em «diálogos entre Artes», deste poema, enche [...] ...), é o Livro, «Ensaio-Visual», de 53, de Palla-Martins (idêntica Fortuna..., a partir de «décadas depois»..)- já nestas casas várias vezes referenciado, é o DOC. de João Trabulo, de 2021, ora colocado na «RTP-PLay»... [que lá se mantenha disponível...]
- o Eléctrico 28, em peças de «Lego»; artigo da «Local», de hoje, do «Público»:
«O sonho de levar o 28 das ruas de Lisboa ao resto do mundo em peças de Lego»- Crónica de hoje; RECORTE:
[...] Um dos muitos exemplos possíveis da situação actual acontece junto ao rio, entre o Cais do Sodré e Santos. Alguém durante o reinado de Medina teve uma grande ideia reservar aquela zona para diversão nocturna, num exemplo datado e esgotado de planeamento urbano, colocando ali três discotecas a funcionar ao ar livre. Repito: ao ar livre. O som propaga-se pelas colinas, sendo frequentes as queixas, inclusive, da outra margem, porque o som, pois é, também desliza pela água. Até às 7 da manhã, de quarta a sábado, é assim. [...]
- artigo. com Fotos e sons do trabalho da Equipa de Restauro «partilhados» com as Vozes dos Guias Turísticos..., no «Mensagem»; neste Caso, o Excerto Final:
[...] Deixa o túnel com um sorriso e pincéis por lavar, mas deixa também um agradecimento, com um cunho irónico tão querido ao seu trabalho. “Um grande obrigado ao que ainda resta do Povo de Alfama”, lê-se.
- dossiê fotográfico, da Lisboa de 75, «de antes das primeiras Eleições Livres», de 2021, ora republicado, no «Público» - AQUI
- 37, não Número de Escada, na Praça, mas o ano de 1937, por V. P.; DAQUI
- R. vai perguntar-lhe o «porquê»...
- tantas vezes, nos Qd.os, foi provocatoriamente lançada a «frase-título» do Livro de João dos Santos [...];
- deixou de haver «público» que «queira» ouvir a história da decisão de «fazer nascer» J., em consequência das radiofónicas conversas das tardes dos sábados*** de «meia folga», na «horizontal», antes de D. sair para «atravessar o rio» (ainda por Cacilheiro...), para a noite na MAD.a, na MERC-BAR.. [«falsa Memória», pois as conversas, entre J. dos S. e J. C. M., foram entre Outubro de 83 e Julho de 84, o que «projecta» a Coisa para o tempo do «Aux Armes de Paris»...]
- mas houve, ainda em 2022, uma Qd.a que a atribuiu a D.; «o seu a seu dono» [...]
- numa Casa dedicada a J. dos S., a precisar de «manutenção», a referência ao filme que está na Cinemateca-Arquivo Municipal [....]
*** - outra «falsa memória» - as conversas foram transmitidas aos domingos, às 18 e 30, na «Rádio Comercial» [...]; UI, UI...
- num destes dias, F., do Bloco I, tinha «Cidade Triste e Alegre», o mítico volume da Dupla Palla-Martins ... talvez para aquelas coisas que lhes pedem na «Escola do Paraíso»...[...];
- Mestre F. S., de DES, do Qd,o da Frente do 402, lançou os seus Qd.s na senda da Exposição, e D. emprestou-lhe «Não Pai» [...]
- Foi sempre o bairro de «labuta» da General [até cerca de 2009, 2015...]; passou a ser o da RESID., após a Fuga da M. Sul (Setembro de 96); por aí «gira» D., agora, quase a «largar» a E. do Paraíso...;
- «peculiar» Bairro, ora objecto de um DOC. (e canção) de Gil do Carmo; [artigo no jornal de Lisboa, «Mensagem»
- D., já no Fj., com a General, lembra-se que, na Carga, havia Contentores de «frango congelado», e outros de «sprays insecticidas»- tudo foi parar ao Tejo...;
- por mais de 3 anos, foi objecto da «chacota» de Ref. de «língua afiada» e de [...] aumentando o «gáudio», nas tentativas, falhadas, de o «revirar», «deslodar»...
- a foto, de José Vieira Mendes, de há 38 anos, pertence a uma EXPO que originou a história de Vida(s) que o «Público» reconta [...]
- Crónica de João Pedro Pincha - «O que uma foto faz», a 11-01 [...]
- quase 4 anos e 7 milhões depois - «já pára em Arroios»...
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| Foto do «DN» |
- o painel de N. S. esperou...
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| Foto de Nuno Ferreira Santos |
- fica quase em frente da «Brasileira»; resistiu a tudo...; resistirá à PAND.a?; no «DN», na Colecção «Os Mais de Lisboa» , vídeo, sim, texto completo só para ASS.es;
- [Março de 2024: há muito concluída a recuperação do prédio para o TURIS, após ter estado sempre fechada, mas com os «antigos apetrechos» expostos, agora, retirados estes, como vai ser? ] - [e com tanta Barbearia aberta por toda a Lisboa...], + artigo de Dez. de 2023...;
«A verdadeira história dos quadros da Brasileira do Chiado – agora em Banda Desenhada» -
- no «Mensagem» - jornal de Lisboa - por Nuno Saraiva (desenho) e Ferreira Fernandes (Texto)
- artigo no «DN», de hoje, sobre a «história» da «Betesga»...;
- [quanto à «Manuel Tavares», D., quando «passa», às vezes, entra, geralmente só para «saborear com o Olhar», visto que as Verbas não «dão para tais loucuras»...]
RECORTE:
[...] O ditado 'Meter o Rossio na Rua da Betesga' [...] De onde surgiu o provérbio não sabe, mas o historiador Mário Nascimento diz que este "tem uma grandeza quase universal". "A expressão não é um exclusivo de Lisboa. Inúmeras cidades e vilas por este país têm Rossios como praças centrais e betesgas como pequenas ruas, vielas e becos sem saída. No caso de Lisboa há a feliz coincidência de o Rossio estar exatamente colado à tal pequena rua, que, na verdade, só é pequena porque foi encolhida", argumenta.
- [com a «Cerca* que não é Cerca», por COSTA, e com «o confinamento que não volta atrás», por MARC., [...]
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| Não identificada no «DN» (a Imagem reproduzida) * à A. Metropolitana... |
- R. «desencantou» excertos da «Escola do Paraíso», para enviar a A., «que ainda Mora aqui», futura Grande Leitora...; e um curto ensaio de Mexia, de 2009 (!!!)
Recorte deste:
- o artigo-reportagem de hoje, do «Ípsilon», «fala por si», i. é., por esta «escondida» «loja histórica»
- no Bloco da manhã, L., o Príncipe, não o JOG., dizia, hoje, pelas 9 e 30, após «várias ajudas», «hoje não estou inspirado...», face ao excerto - a cores, tal como lhe foi proposto:
[…] Acabaram as férias de Lídia, tudo voltou ao que dantes era, passará a vir no seu dia de folga, […] Numa destas noites Fernando Pessoa bateu-lhe à porta, não aparece sempre que é preciso, mas estava a ser preciso quando aparece, a alguém, Grande ausência, julguei que nunca mais o tornaria a ver, isto disse-lhe Ricardo Reis, Tenho saído pouco, perco-me facilmente, como uma velhinha desmemoriada, ainda o que me salva é conservar o tino da estátua do Camões, a partir daí consigo orientar-me, Oxalá não venham a tirá-la, com a febre que deu agora em quem decide dessas coisas, basta ver o que está a acontecer na Avenida da Liberdade, uma completa razia, […] A mim nunca me levantarão estátuas, só se não tiverem vergonha, eu não sou homem para estátuas, Estou de acordo consigo, não deve haver nada mais triste que ter uma estátua no seu destino, Façam-nas a militares e políticos, eles gostam, nós somos apenas homens de palavras, e as palavras não podem ser postas em bronze ou pedra, são só palavras, e basta, […] Olhe que até há quem exija a retirada do Chiado, Também o Chiado, que mal lhes fez e Chiado, Que foi chocarreiro, desbocado, nada próprio do lugar elegante onde o puseram, Pelo contrário, o Chiado não podia estar em melhor sítio, não é possível imaginar um Camões sem um Chiado, estão muito bem assim, ainda por cima viveram no mesmo século, se houver alguma coisa a corrigir é a posição em que puseram o frade, devia estar virado para o épico, com a mão estendida, não como quem pede, mas como quem oferece e dá, Camões não tem nada a receber de Chiado, Diga antes que não estando Camões vivo, não lho podemos perguntar, você nem imagina as coisas de que Camões precisaria. Ricardo Reis foi à cozinha aquecer um café, voltou ao escritório, foi sentar-se diante de Fernando Pessoa, […]Não consigo habituar-me à ideia de que você não existe, Olhe que passaram sete meses, quanto basta para começar uma vida, mas disso sabe você mais do que eu, é médico, Há alguma intenção reservada no que acabou de dizer, Que intenção reservada poderia eu ter, Não sei, Você está muito susceptível hoje, Talvez seja por causa deste tirar e pôr de estátuas, desta evidência da precariedade dos afectos, […]
«O ano da morte de Ricardo Reis», pp.
425 – 427
«Poseidon olhando o Tejo», da «Empena» de um prédio...; da autoria de «PichiAvo»
- um dos (27) murais reproduzidos no artigo - e reportagem fotográfica de hoje do «DN»
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| Uma das fotos de Diogo Soares, «Público», 01-03-2021, pp. 18-19 |
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- na «Missiva» de hoje, M. do R. P., após evocar os jornais «desaparecidos», fala deste novo projecto de «jornal» - «digital», claro:
- título mais significativo, não podia ter:
RECORTE inicial de «Quem somos»:
Mensagem é um novo projeto de jornal online – sobre Lisboa, de Lisboa e para Lisboa. Mas, além do que cabe aos jornais – sermos um lugar de histórias da cidade – faremos jornalismo comunitário, com debates, reuniões de vizinhos, conferências e, até, teatro. Sobre Lisboa, com lisboetas. A redação está na Baixa, na Rua Augusta; a sede, no café A Brasileira do Chiado (com Fernando Pessoa, inspirador do título, Mensagem, sentado e em bronze, à porta); e os leitores, perdão, os cidadãos, espalhados pelos bairros. Se escolhemos um café para ponto de encontro é porque sublinhamos o ponto de encontro que queremos ser [...]
de «O ano da morte de Ricardo Reis»:
«[...] Nos dias seguintes Ricardo Reis pôs-se à procura de casa. Saía de manhã, regressava à noite, almoçava e jantava fora do hotel, serviam-lhe de badameco as páginas de anúncios do Diário de Notícias, mas não ia para longe, os bairros excêntricos estavam fora dos seus gostos e conveniências, detestaria ir viver, por exemplo, lá para a Rua dos Heróis de Quionga, à Moraes Soares, onde se tinham inaugurado umas casas económicas de cinco e seis divisões, renda realmente barata, entre cento e sessenta e cinco e duzentos e quarenta escudos por mês, nem lhas alugariam a ele, nem ele as quereria, tão distantes da Baixa e sem a vista do rio. [...]»
[sublinhados acrescentados]
[...] Quando a Praça de Camões se desvenda ao subirmos a Rua do Alecrim, e se dá de caras com a estátua do poeta, o mais certo é o embarcadiço do tuk tuk questionar quem é o fulano da pala. Conta-se então, conforme a inspiração do dia, estarmos diante do mais alto vate da nação. Se for cliente italiano, diremos estarem Os Lusíadas para A Divina Comédia, e Luís Vaz no degrau de Petrarca e Alighieri. [...] Perro no italiano, desabrido no inglês e pomposo no francês, quando me chega a hora de impressionar a freguesia nada mais adequado do que pegar num velho exemplar camoniano da biblioteca do meu avô Garcia, empoleirado no banco do meu tuk tuk e de mão direita a desenhar voos picados por cada soneto lido. Aos franceses, comparo-o a Baudelaire como podia trazer à liça Verlaine ou Rimbaud, [...] Aos brasileiros, nada mais os impressiona do que acordar o poeta Pessoa, e aí há que descer à Rua Garrett, ao Largo do S. Carlos e às artérias da Baixa, se queremos esbarrar com a alma do poeta total. Camões, Bocage, Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Cesário Verde, o poeta Chiado, navegam a bordo do meu tuk tuk, [...]
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| Foto de Rita Carmo («em Alfama, em 2019») reprod.a do «BLITZ» |
[...] 'Lisboa Menina e Moça' remete para uma Lisboa atual; continuará a ser, porventura daqui a 100 anos, o hino da cidade – porque não é datada, porque a Graça, o Bairro Alto, Alfama, as colinas e o Tejo hão-de estar sempre lá. E o fado há-de existir sempre, ainda que este seja um fado-quase-canção. Podem, daqui a 100 anos, não vão lá estar as varinas, os marinheiros, a tragédia, a melancolia do fado – mas isso só faz de Lisboa, menina e moça mais intemporal, que o fado atual já não se constrói de clichés. [...]
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| Fot.a de Filipa Fernandez, na p. 15 do «Público - rep.a daí |
Recortes:
QUE HORAS SÃO AÍ?
Lisboa continua a ser uma cidade literária. Isto é, uma cidade que não coincide necessariamente com a sua geografia visível. Uma cidade que é maior do que aquela que a cartografia designa. O trabalho de um escritor não é só uma operação de desmontagem do tempo: ele faz o mesmo em relação ao espaço. Em parte a cidade, tal qual historicamente se apresenta, pode ser reconhecível no que escrevem. Há a Lisboa de Cesário Verde e de Pessoa, de Saramago, Cesariny, Lobo Antunes ou [...]
Sei que muitos italianos vêm a Lisboa trazendo na bagagem o romance “Afirma Pereira”, de Antonio Tabucchi. E que vão tomar café ao Orquídea seguindo os passos do protagonista ou se metem no 28 para verem como Lisboa é lentamente metafísica e cansada ou são mais benévolos a julgar a ventania do entardecer do que alguma vez os locais o serão. [...]
A este propósito, Lisboa tem uma grande dívida para com Tabucchi, [...] Num conto inédito, que acaba de ser editado em Itália, e que se intitula “Que Horas São Aí?”, é essa exatamente a intriga. Lojas que deixaram de existir e foram substituídas por outras, lacunas, distâncias e dobras que o tempo acentua, enigmas deixados em herança, ruas e sofrimentos que os mapas não assinalam. Face a isso, a tarefa da literatura é dupla: por um lado, tornar consciente em nós o impacto avassalador da vida, mas, por outro, tentar uma espécie de reparação. Que Tabucchi explica assim: a história é uma criatura glacial, não tem piedade de nada nem de ninguém. Mas a literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada.
«Expresso», n.º 2511, «E» – [Revista], 11 - 12 - 2020, p. 90