segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

«Lisboa», de Amalia Bautista

[ o quinto dos cinco poemas traduzidos por L. F. P. P. e ontem colocados na sua Casa - Do Trapézio sem Rede»)

 Lisboa

Sardinhas e azulejos,
eléctricos amarelos, calçadas onduladas
com paralelepípedos escorregadios
e o teu olhar.
Livrarias e fados
e castanhas assadas.
Uma língua mais doce e mais profunda,
e também mais triste,
e a tua língua.
O Tejo, que já é mar
e ferida e janela.
A nossa idade que avança
e a espantosa e estranha juventude
que tornamos presente ao fecharmos a porta.
O nosso amor renovado
e pastéis de nata.

(Versões minhas [Luís Filipe Parrado]; fonte: Azul el agua; La Bella Varsovia, 2ª edição, Barcelona, 2022).

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Lisboa de Saramago

 - entre Outubro de 81 e 31 de Julho de 83, D. oficinou na Travessa dos Inglesinhos (M. - B., decorada por Isabel da Nóbrega, para a Dupla Oliveira - Antunes, da V. da M., onde S. almoçava quase todos os dias, vindo de Casa, da Rua da Esperança...); [em 2002, no ANIV. de J., na nova TRAV., no CONV. das Bernardas, ainda era ANT. que ...; agora, em AGO de 22, no passeio com a General e M., avistou-se «uma sombra»...

- na novel «Mensagem», artigo - roteiro necessariamente reduzido ("um passeio") sobre essa LX Saram., tanto na Ficção como no Mundo Empírico [...]

domingo, 11 de setembro de 2022

Almirante Reis

  - pelas 9, o «enevoado» permitia a descida até ao Martim Moniz (propalado «Roteiro Cosmopolita-Inclusivista»...); alternadamente, Estabelecimentos Turísticos e Estabelecimentos Abandonados (estes, a serem transformados em mais daqueles...); quanto ao Martim Moniz, Praça Central (onde «em tempos» havia «estatuetas históricas» e Repuxos...), não será propriamente «a cereja..».; é ir lá, «ver para crer»**...; (Lx é uma Cidade Pequena..., em cada Esquina...;  o que faltará?)

** [final de Outubro: «vaga mig. Timorense» tem surgido nos meios de Comunic....]

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

«A cada esquina de Lisboa» (D. Mourão-Ferreira)

 XXXVI

A cada esquina de Lisboa,
inúmeros os estilhaços do passado
que lhe rebentam em pleno rosto.

David Mourão-Ferreira, Jogo de Espelhos - reflexos para um auto-retrato, 1993; da secção Auto-retrato - primeiros traços (transcrito da edição de 2001)


quinta-feira, 16 de junho de 2022

Triste e Alegre

 - é o verso de Campos, de «Lisbon Revisited» (a Fortuna, em «diálogos entre Artes», deste poema, enche [...] ...), é o Livro, «Ensaio-Visual», de 53, de Palla-Martins (idêntica Fortuna..., a partir de «décadas depois»..)- já nestas casas várias vezes referenciado, é o DOC. de João Trabulo, de 2021, ora colocado na «RTP-PLay»... [que lá se mantenha disponível...]

sábado, 4 de junho de 2022

28, em «Lego»

 - o Eléctrico 28, em peças de «Lego»; artigo da «Local», de hoje, do «Público»

«O sonho de levar o 28 das ruas de Lisboa ao resto do mundo em peças de Lego»

domingo, 29 de maio de 2022

«Lisboa, capital da chinfrineira», Vítor Belanciano OU «do Cais do Sodré a Santos»

 - Crónica de hoje; RECORTE:

[...] Um dos muitos exemplos possíveis da situação actual acontece junto ao rio, entre o Cais do Sodré e Santos. Alguém durante o reinado de Medina teve uma grande ideia reservar aquela zona para diversão nocturna, num exemplo datado e esgotado de planeamento urbano, colocando ali três discotecas a funcionar ao ar livre. Repito: ao ar livre. O som propaga-se pelas colinas, sendo frequentes as queixas, inclusive, da outra margem, porque o som, pois é, também desliza pela água. Até às 7 da manhã, de quarta a sábado, é assim. [...]

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Alfama, «Portas do Sol»: o restauro do painel Satírico de Nuno Saraiva

 - artigo. com Fotos e sons do trabalho da Equipa de Restauro «partilhados» com as Vozes dos Guias Turísticos..., no «Mensagem»; neste Caso, o Excerto Final:

[...] Deixa o túnel com um sorriso e pincéis por lavar, mas deixa também um agradecimento, com um cunho irónico tão querido ao seu trabalho. “Um grande obrigado ao que ainda resta do Povo de Alfama”, lê-se.


quinta-feira, 28 de abril de 2022

«Lisboa - Livro de Bordo»

 - o Motivo da Deambulação, em O «AMRR» levou a que se lesse, em inícios de Qd.os, de  um excerto do livro de J. C. P., de 97 [...];
 
- e à (re)localização dos «Fotogramas Soltos...», na Videoteca - Arquivo Municipal  - (filme de 2008, anote-se)

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Lisboa de 75

 - dossiê fotográfico, da Lisboa de 75, «de antes das primeiras Eleições Livres», de 2021, ora republicado, no «Público» - AQUI

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Largo de Camões, 37, por Parracho, Vasco

 - 37, não Número de Escada, na Praça, mas o ano de 1937, por V. P.; DAQUI

- R. vai perguntar-lhe o «porquê»...

segunda-feira, 7 de março de 2022

A Lisboa de João dos Santos

 - tantas vezes, nos Qd.os, foi provocatoriamente lançada a «frase-título» do Livro de João dos Santos [...]; 

- deixou de haver «público» que «queira» ouvir a história da decisão de «fazer nascer» J., em consequência das radiofónicas conversas das tardes dos sábados*** de «meia folga», na «horizontal», antes de D. sair para «atravessar o rio» (ainda por Cacilheiro...), para a noite na MAD.a,  na MERC-BAR.. [«falsa Memória», pois as conversas, entre J. dos S. e J. C. M., foram entre Outubro de 83 e Julho de 84, o que «projecta» a Coisa para o tempo do «Aux Armes de Paris»...]

- mas houve, ainda em 2022, uma Qd.a que a atribuiu a D.; «o seu a seu dono» [...]

- numa Casa dedicada a J. dos S., a precisar de «manutenção», a referência ao filme que está na Cinemateca-Arquivo Municipal [....]

 *** - outra «falsa memória» - as conversas foram transmitidas aos domingos, às 18 e 30, na «Rádio Comercial» [...]; UI, UI...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Lisboa, 87-93, por Daniel Balufucks

 - num destes dias, F., do Bloco I, tinha «Cidade Triste e Alegre», o mítico volume da Dupla Palla-Martins ... talvez para aquelas coisas que lhes pedem na «Escola do Paraíso»...[...]; 

- o Artigo do «Público» - «Bom dia, Lisboa» - refere que é «a Lisboa de 87 a 93» que «desfila» no Livro de D. B. - está por aí, à espera que D. lhe dedique algum tempo [...] 

- Mestre F. S., de DES, do Qd,o da Frente do 402,  lançou os seus Qd.s na senda da Exposição, e D. emprestou-lhe «Não Pai» [...]

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Arroios, por Gil do Carmo

 - Foi sempre o bairro de «labuta» da General [até cerca de 2009, 2015...]; passou a ser o da RESID., após a Fuga da  M. Sul (Setembro de 96); por aí «gira» D., agora, quase a «largar» a E. do Paraíso...;

- «peculiar» Bairro, ora objecto de um DOC. (e canção) de Gil do Carmo; [artigo no jornal de Lisboa, «Mensagem»

domingo, 26 de dezembro de 2021

Cais das Colunas, com Tollan

-  D., já no Fj., com a General, lembra-se que, na Carga, havia Contentores de «frango congelado», e outros de «sprays insecticidas»- tudo foi parar ao Tejo...; 

- por mais de 3 anos, foi objecto da «chacota» de Ref. de «língua afiada» e de [...] aumentando o «gáudio», nas tentativas, falhadas, de o «revirar», «deslodar»...


- a foto, de José Vieira Mendes,  de há 38 anos, pertence a  uma EXPO que originou a história de Vida(s) que o «Público»  reconta [...]


- Crónica de João Pedro Pincha - «O que uma foto faz», a 11-01 [...]

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

lisboa (I) - «Horto de Incêndio»

                                              lisboa (I)

por trás dos muros da cidade
no seu coração profundo de alicerces
de argilas e de sísmicos arroios - cresce uma voz
que sobe e fende a brandura das casas

da escrita dos inumeráveis povos quase
nada resta - deitas-te exausto na lâmina da lua
sem saberes que o tejo te corrói e te suprime
de todas as idades da europa

mais além - para os lados do corpo - permanece
a tosse dos cacilheiros os olhos revirados
dos mendigos - o tecto onde um navio
nos separa de um vácuo alimentado a soro

plátanos brancos recortam-se luminescentes no olhar
de quem nos olha contra um céu desesperado - jardim
de íris açucenas palmeiras cobertas de rocio e
e a ponte que nos leva aos campos do sul - lisboa

lugar derradeiro do riso
que já não te pode salvar do cemitério dos prazeres

e morres
carregado de tristezas e de mistérios - morres
algures
sentado numa praceta de bairro - o olhar fixo
no inferno marítimo das aves

Al Berto, Horto de incêndio, 1997, pp. 41-42

terça-feira, 14 de setembro de 2021

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Norberto de Araújo (Rua)

Foto de Nuno Ferreira Santos
Início do artigo do «Público»:
 «Quem desce das Portas do Sol para Alfama pelas escadinhas da Rua Norberto de Araújo encontra à esquerda um quadriculado colorido e divertido que relata as glórias e misérias da História de Lisboa. [...]»

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Glória, ascensor

 


- o ascensor «assoma» na Foto de Benoliel, de 1911 (AML), cujo motivo principal é o «Salão Central»         [- reproduzido do artigo do «Público», «Ímpar»,  da série sobre «os anos 20»]

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Chiado, Campos (Barbearia), 1886

 - fica quase em frente da «Brasileira»; resistiu a tudo...; resistirá à PAND.a?; no «DN», na Colecção «Os Mais de Lisboa» , vídeo, sim, texto completo só para ASS.es;

- [Março de 2024: há muito concluída a recuperação do prédio para o TURIS, após ter estado sempre fechada, mas com os «antigos apetrechos» expostos, agora, retirados estes, como vai ser? ] - [e com tanta Barbearia aberta por toda a Lisboa...], + artigo de Dez. de 2023...;

domingo, 11 de julho de 2021

Chiado, «A Brasileira»

 «A verdadeira história dos quadros da Brasileira do Chiado – agora em Banda Desenhada» - 

- no «Mensagem» - jornal de Lisboa - por  Nuno Saraiva (desenho) e Ferreira Fernandes (Texto)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Betesga (Rua da)

 - artigo no «DN», de hoje, sobre a «história» da «Betesga»...; 

- [quanto à «Manuel Tavares», D., quando «passa», às vezes, entra, geralmente só para «saborear com o Olhar», visto que as Verbas não «dão para tais loucuras»...]

RECORTE:

[...] O ditado 'Meter o Rossio na Rua da Betesga' [...] De onde surgiu o provérbio não sabe, mas o historiador Mário Nascimento diz que este "tem uma grandeza quase universal". "A expressão não é um exclusivo de Lisboa. Inúmeras cidades e vilas por este país têm Rossios como praças centrais e betesgas como pequenas ruas, vielas e becos sem saída. No caso de Lisboa há a feliz coincidência de o Rossio estar exatamente colado à tal pequena rua, que, na verdade, só é pequena porque foi encolhida", argumenta.

domingo, 20 de junho de 2021

Lisboa sob Cerco: 1383 e «Covid 19»

 - [com a «Cerca* que não é Cerca», por COSTA,  e com «o confinamento que não volta atrás», por MARC., [...]

Não identificada no «DN» (a Imagem reproduzida)
* à A. Metropolitana...
- evocação histórica em 1. ª pessoa verbal, isto é, «fala» o Vírus personificado - no «DN» de hoje (convidado o historiador V. V., Valentino Viegas)

sábado, 12 de junho de 2021

Lisboa de Miguéis

 - R. «desencantou» excertos da «Escola do Paraíso», para enviar a A., «que ainda Mora aqui», futura Grande Leitora...; e um curto ensaio de Mexia, de 2009 (!!!)

Recorte deste:

   [...] A Escola do Paraíso é um estudo da pequena burguesia lisboeta como classe em que mais se notam as convulsões políticas e as mudanças comportamentais. É por isso uma elegia melancólica e vitalista das ruas de Lisboa. Miguéis [...]  em vez de optar por um realismo de interiores, importante na tradição portuguesa, põe as personagens constantemente nas ruas, tornando assim a rua uma personagem por direito próprio, não apenas na medida em que a rua é o palco constante da vida quotidiana mas porque naquele momento, como noutros, a rua se tornava sujeito histórico. É na rua que as coisas acontecem. [...]

Recorte daquele:

Para ir ao Colégio desce-se a S. Mamede: seria mais simples ir por cima, à Rua dos Milagres, mas o pai, ao sair de manhã para a sua vida, acompanha os filhos até à meia-laranja, onde os beija e se demora um pouco a vê-los subir a curva suave da rampa. No cimo, à esquerda, numa casinha oculta entre prédios mais altos está o Colégio. [...]

                                                        A escola do paraíso, p. 38

quarta-feira, 26 de maio de 2021

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Chiado OU «pôr e tirar Estátuas» OU «a precariedade dos afectos»

- no Bloco da manhã, L., o Príncipe, não o JOG., dizia, hoje, pelas 9 e 30, após «várias ajudas», «hoje não estou inspirado...», face ao excerto - a cores, tal como lhe foi proposto:

[…] Acabaram as férias de Lídia, tudo voltou ao que dantes era, passará a vir no seu dia de folga, […] Numa destas noites Fernando Pessoa bateu-lhe à porta, não aparece sempre que é preciso, mas estava a ser preciso quando aparece, a alguém, Grande ausência, julguei que nunca mais o tornaria a ver, isto disse-lhe Ricardo Reis, Tenho saído pouco, perco-me facilmente, como uma velhinha desmemoriada, ainda o que me salva é conservar o tino da estátua do Camões, a partir daí consigo orientar-me, Oxalá não venham a tirá-la, com a febre que deu agora em quem decide dessas coisas, basta ver o que está a acontecer na Avenida da Liberdade, uma completa razia, […] A mim nunca me levantarão estátuas, só se não tiverem vergonha, eu não sou homem para estátuas, Estou de acordo consigo, não deve haver nada mais triste que ter uma estátua no seu destino, Façam-nas a militares e políticos, eles gostam, nós somos apenas homens de palavras, e as palavras não podem ser postas em bronze ou pedra, são só palavras, e basta, […] Olhe que até há quem exija a retirada do Chiado, Também o Chiado, que mal lhes fez e Chiado, Que foi chocarreiro, desbocado, nada próprio do lugar elegante onde o puseram, Pelo contrário, o Chiado não podia estar em melhor sítio, não é possível imaginar um Camões sem um Chiado, estão muito bem assim, ainda por cima viveram no mesmo século, se houver alguma coisa a corrigir é a posição em que puseram o frade, devia estar virado para o épico, com a mão estendida, não como quem pede, mas como quem oferece e dá, Camões não tem nada a receber de Chiado, Diga antes que não estando Camões vivo, não lho podemos perguntar, você nem imagina as coisas de que Camões precisaria. Ricardo Reis foi à cozinha aquecer um café, voltou ao escritório, foi sentar-se diante de Fernando Pessoa, […]Não consigo habituar-me à ideia de que você não existe, Olhe que passaram sete meses, quanto basta para começar uma vida, mas disso sabe você mais do que eu, é médico, Há alguma intenção reservada no que acabou de dizer, Que intenção reservada poderia eu ter, Não sei, Você está muito susceptível hoje, Talvez seja por causa deste tirar e pôr de estátuas, desta evidência da precariedade dos afectos, […]

«O ano da morte de Ricardo Reis», pp. 425 – 427


segunda-feira, 19 de abril de 2021

Lavra: o mais íngreme


- muitas vezes o usou, no tempo da FAC. de C. M.,  no Campo Santana (Abril de 78 a DEZ. de 80...)
- REP. no «DN» [Indisponível]

sábado, 20 de março de 2021

Príncipe Real + «a menina dos olhos» + O''Neill

 - andará pelos 150 anos de idade, essa Menina, afinal, nem «cedro do Buçaco», nem...,  um cipreste oriundo das «zonas montanhosas do México», conforme o artigo do «Fugas» de hoje no «Dia da Á.»

- «Território» de O'Neill, o Príncipe Real, documentado em vários textos e outros «Ecos», como o abaixo «recortado»: 

"Expõe ao sol a perna escalavrada, / no Jardim do Príncipe Real, / uma velha inglesa. // [...] Gozosos, eu e a velha, ali ficamos / à mercê de meninos e marçanos. // [...] Talvez que, se o Briol nos conservara, / alguém um dia nos ajardinara."

                                           de «Os lagartos ao sol», de de ombro na ombreira, 1969

segunda-feira, 8 de março de 2021

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Arroios: bairro «quase» com «tudo a quinze minutos...»

 -


um «analista de dados» estudou 7 Bairros...; Alvalade «ganha», mas Arroios (onde tb. D. vive... e onde a General sempre trabalhou...] «tem potencial»; no novo «jornal digital lisboeta» [fotografia daí]

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Eléctricos, «coisa fácil de coleccionar...»

 


- artigo no novo «aMensagem» - sobre um dedicado coleccionador de Eléctricos, que também os «recupera»...; talvez, um dia, outras Linhas «regressem» a Lisboa...; quem sabe? [fotografia daí]

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O jornal por que Lisboa esperava...

 - na «Missiva» de hoje, M. do R. P., após evocar os jornais «desaparecidos», fala deste novo projecto de «jornal» - «digital», claro:

- título mais significativo, não podia ter:

«Mensagem» 

RECORTE inicial de «Quem somos»:

Mensagem é um novo projeto de jornal online – sobre Lisboa, de Lisboa e para Lisboa. Mas, além do que cabe aos jornais – sermos um lugar de histórias da cidade – faremos jornalismo comunitário, com debates, reuniões de vizinhos, conferências e, até, teatro. Sobre Lisboa, com lisboetas.  A redação está na Baixa, na Rua Augusta; a sede, no café A Brasileira do Chiado (com Fernando Pessoa, inspirador do título, Mensagem, sentado e em bronze, à porta); e os leitores, perdão, os cidadãos, espalhados pelos bairros. Se escolhemos um café para ponto de encontro é porque sublinhamos o ponto de encontro que queremos ser [...]

domingo, 14 de fevereiro de 2021

«Rua dos Fanqueiros» («Manequins da...»)

Crónica de hoje de Fernando Alves, no «DN»;
RECORTES:

«Um velho amigo que já cá não anda dizia dos mais entufados interlocutores, quando punham o ar de quem engolira um garfo, que pareciam "manequins da rua dos Fanqueiros".
Nesta sexta-feira, ao ler que a proprietária de uma confeitaria da Corunha pediu, numa loja de roupas da vizinhança, manequins emprestados e os sentou à mesa, os vultos reclinados sobre os pratos, as luzes acesas e música nas colunas, chamando a atenção para os danos colaterais do confinamento, desci a Rua dos Fanqueiros a ver as montras. E que vi eu?
[...]
Dante Milano, tradutor de Baudelaire e amigo de Drummond e de Manuel Bandeira, fez um conto intitulado O Manequim, inspirado no caso de um tal Jaime Ovalle, seu companheiro de estúrdia nas noites do Rio. Quando saía do trabalho, o dito Ovalle parava longas horas diante de uma certa montra e ficava a contemplar um manequim pelo qual se apaixonou.
Penso num intrigante poema de João Cabral de Melo Neto: "Tenho no meu quarto manequins corcundas/ Onde me reproduzo/ E me contemplo em silêncio." E é como se visse Ovalle e o manequim olhando-se, perdidos, por detrás das máscaras. [...]

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Rua dos Heróis de Quionga - de «O ano da morte...»

 de «O ano da morte de Ricardo Reis»:

«[...] Nos dias seguintes Ricardo Reis pôs-se à procura de casa. Saía de manhã, regressava à noite, almoçava e jantava fora do hotel, serviam-lhe de badameco as páginas de anúncios do Diário de Notícias, mas não ia para longe, os bairros excêntricos estavam fora dos seus gostos e conveniências, detestaria ir viver, por exemplo, lá para a Rua dos Heróis de Quionga, à Moraes Soares, onde se tinham inaugurado umas casas económicas de cinco e seis divisões, renda realmente barata, entre cento e sessenta e cinco e duzentos e quarenta escudos por mês, nem lhas alugariam a ele, nem ele as quereria, tão distantes da Baixa e sem a vista do rio. [...]»

[sublinhados acrescentados]

domingo, 10 de janeiro de 2021

Largo de Camões, Tiago Salazar

Escrita Deambulatória Rápida, a de Tiago Salazar, «timoneiro» de "tuk tuk" [...] - na esteira de Ricardo Reis, Bernardo Soares, Cardoso Pires, Cesário e tantos «outros», naturalmente; 
- «Geografias» de Lisboa, incluindo as de Infância, no  «Roteiro Literário» do Boletim de Janeiro da «Agenda Cultural», pp. 74 - 82 [lido à General, junto à porta de Vidro Fosco]...[...]
Recorte [truncado, sublinhados acrescentados]

 [...] Quando a Praça de Camões se desvenda ao subirmos a Rua do Alecrim, e se dá de caras com a estátua do poeta, o mais certo é o embarcadiço do tuk tuk questionar quem é o fulano da pala. Conta-se então, conforme a inspiração do dia, estarmos diante do mais alto vate da nação. Se for cliente italiano, diremos estarem Os Lusíadas para A Divina Comédia, e Luís Vaz no degrau de Petrarca e Alighieri. [...] Perro no italiano, desabrido no inglês e pomposo no francês, quando me chega a hora de impressionar a freguesia nada mais adequado do que pegar num velho exemplar camoniano da biblioteca do meu avô Garcia, empoleirado no banco do meu tuk tuk e de mão direita a desenhar voos picados por cada soneto lido. Aos franceses, comparo-o a Baudelaire como podia trazer à liça Verlaine ou Rimbaud, [...]  Aos brasileiros, nada mais os impressiona do que acordar o poeta Pessoa, e aí há que descer à Rua Garrett, ao Largo do S. Carlos e às artérias da Baixa, se queremos esbarrar com a alma do poeta total. Camões, Bocage, Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Cesário Verde, o poeta Chiado, navegam a bordo do meu tuk tuk, [...]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

o Hino da Cidade

Foto de Rita Carmo («em Alfama, em 2019»)
reprod.a do «BLITZ»

- Recorte de artigo do «Blitz»:

[...] 'Lisboa Menina e Moça' remete para uma Lisboa atual; continuará a ser, porventura daqui a 100 anos, o hino da cidade – porque não é datada, porque a Graça, o Bairro Alto, Alfama, as colinas e o Tejo hão-de estar sempre lá. E o fado há-de existir sempre, ainda que este seja um fado-quase-canção. Podem, daqui a 100 anos, não vão lá estar as varinas, os marinheiros, a tragédia, a melancolia do fado – mas isso só faz de Lisboa, menina e moça mais intemporal, que o fado atual já não se constrói de clichés. [...]


Lisboa Menina e Moça", na avenida Rio de Janeiro. Uma homenagem ao fadista Carlos do Carmo da autoria de Mário Belém

Foto Leonardo Negrão / Global Imagens

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Cais do Sodré; Americano; Cardoso Pires

Fot.a de  Filipa Fernandez, na p. 15 
do «Público - rep.a daí
 Se quarteirões «inteiros» continuam a ser transformados em «TURIST.ces», é porque  há uma «inabalável certeza» quanto à  «transitoriedade» da situação actual...

 É a vez do «Americano», - «à beirinha» do Centenário - cf. o «Público» de hoje



RECORTE de «Lisboa, Livro de Bordo» (também repr.o no «Público»):

"[...] Não há dúvida, os bares são realmente navegações pessoalíssimas. Do outro lado da rua tenho O Americano que, como figura de proa, não ostenta um relógio de intrigar mas um possante urogalo embalsamado num altar de parede. Em tempos foi um balcão de suevos, daneses e britânicos, funcionários, todos eles, das agências de navegação do Cais do Sodré, e aqui, hoje que o dia está de feição, torno a tropeçar noutro poeta: o Pessoa. (…) Também ele, nos gloriosos anos trinta, frequentava O Americano às horas litúrgicas dos morning drinkers. Navegações, é o que eu digo. Nos bares do Cais do Sodré ninguém está livre de apanhar com um poeta à deriva pela proa.
Hoje O Americano perdeu lastro, balança à tona dum passado de bebedores em inglês, reflectidos no gin tonic ou no sling. Está quase em seco, como se vê, sem esses navegantes de balcão: e a emoldurar a sua solitude exibe calendários de ship-chandlers com navios de grande curso a fumegarem nas paredes."

José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo, D. Quixote, 1997, pp. 81-82 (reprod. da 4.ª ed., de 1998)

domingo, 13 de dezembro de 2020

«Lisboa Literária», de Tabucchi e..., por Tolentino Mendonça

 Recortes:

QUE HORAS SÃO AÍ?

Lisboa continua a ser uma cidade literária. Isto é, uma cidade que não coincide necessariamente com a sua geografia visível. Uma cidade que é maior do que aquela que a cartografia designa. O trabalho de um escritor não é só uma operação de desmontagem do tempo: ele faz o mesmo em relação ao espaço. Em parte a cidade, tal qual historicamente se apresenta, pode ser reconhecível no que escrevem. Há a Lisboa de Cesário Verde e de Pessoa, de Saramago, Cesariny, Lobo Antunes ou [...]

Sei que muitos italianos vêm a Lisboa trazendo na bagagem o romance “Afirma Pereira”, de Antonio Tabucchi. E que vão tomar café ao Orquídea seguindo os passos do protagonista ou se metem no 28 para verem como Lisboa é lentamente metafísica e cansada ou são mais benévolos a julgar a ventania do entardecer do que alguma vez os locais o serão. [...]

A este propósito, Lisboa tem uma grande dívida para com Tabucchi, [...]  Num conto inédito, que acaba de ser editado em Itália, e que se intitula “Que Horas São Aí?”, é essa exatamente a intriga. Lojas que deixaram de existir e foram substituídas por outras, lacunas, distâncias e dobras que o tempo acentua, enigmas deixados em herança, ruas e sofrimentos que os mapas não assinalam. Face a isso, a tarefa da literatura é dupla: por um lado, tornar consciente em nós o impacto avassalador da vida, mas, por outro, tentar uma espécie de reparação. Que Tabucchi explica assim: a história é uma criatura glacial, não tem piedade de nada nem de ninguém. Mas a literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada.

                                  «Expresso», n.º 2511, «E» – [Revista], 11 - 12  - 2020, p. 90