![]() |
| Uma das fotos de Diogo Soares, «Público», 01-03-2021, pp. 18-19 |
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora! / Tomam por outra parte os viandantes; / E o ferro e a pedra - que união sonora! - / Retinem alto pelo espaço fora, / Com choques rijos, ásperos, cantantes. «Cristalizações», Cesário Verde
![]() |
| Uma das fotos de Diogo Soares, «Público», 01-03-2021, pp. 18-19 |
-
- na «Missiva» de hoje, M. do R. P., após evocar os jornais «desaparecidos», fala deste novo projecto de «jornal» - «digital», claro:
- título mais significativo, não podia ter:
RECORTE inicial de «Quem somos»:
Mensagem é um novo projeto de jornal online – sobre Lisboa, de Lisboa e para Lisboa. Mas, além do que cabe aos jornais – sermos um lugar de histórias da cidade – faremos jornalismo comunitário, com debates, reuniões de vizinhos, conferências e, até, teatro. Sobre Lisboa, com lisboetas. A redação está na Baixa, na Rua Augusta; a sede, no café A Brasileira do Chiado (com Fernando Pessoa, inspirador do título, Mensagem, sentado e em bronze, à porta); e os leitores, perdão, os cidadãos, espalhados pelos bairros. Se escolhemos um café para ponto de encontro é porque sublinhamos o ponto de encontro que queremos ser [...]
de «O ano da morte de Ricardo Reis»:
«[...] Nos dias seguintes Ricardo Reis pôs-se à procura de casa. Saía de manhã, regressava à noite, almoçava e jantava fora do hotel, serviam-lhe de badameco as páginas de anúncios do Diário de Notícias, mas não ia para longe, os bairros excêntricos estavam fora dos seus gostos e conveniências, detestaria ir viver, por exemplo, lá para a Rua dos Heróis de Quionga, à Moraes Soares, onde se tinham inaugurado umas casas económicas de cinco e seis divisões, renda realmente barata, entre cento e sessenta e cinco e duzentos e quarenta escudos por mês, nem lhas alugariam a ele, nem ele as quereria, tão distantes da Baixa e sem a vista do rio. [...]»
[sublinhados acrescentados]
[...] Quando a Praça de Camões se desvenda ao subirmos a Rua do Alecrim, e se dá de caras com a estátua do poeta, o mais certo é o embarcadiço do tuk tuk questionar quem é o fulano da pala. Conta-se então, conforme a inspiração do dia, estarmos diante do mais alto vate da nação. Se for cliente italiano, diremos estarem Os Lusíadas para A Divina Comédia, e Luís Vaz no degrau de Petrarca e Alighieri. [...] Perro no italiano, desabrido no inglês e pomposo no francês, quando me chega a hora de impressionar a freguesia nada mais adequado do que pegar num velho exemplar camoniano da biblioteca do meu avô Garcia, empoleirado no banco do meu tuk tuk e de mão direita a desenhar voos picados por cada soneto lido. Aos franceses, comparo-o a Baudelaire como podia trazer à liça Verlaine ou Rimbaud, [...] Aos brasileiros, nada mais os impressiona do que acordar o poeta Pessoa, e aí há que descer à Rua Garrett, ao Largo do S. Carlos e às artérias da Baixa, se queremos esbarrar com a alma do poeta total. Camões, Bocage, Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Cesário Verde, o poeta Chiado, navegam a bordo do meu tuk tuk, [...]
![]() |
| Foto de Rita Carmo («em Alfama, em 2019») reprod.a do «BLITZ» |
[...] 'Lisboa Menina e Moça' remete para uma Lisboa atual; continuará a ser, porventura daqui a 100 anos, o hino da cidade – porque não é datada, porque a Graça, o Bairro Alto, Alfama, as colinas e o Tejo hão-de estar sempre lá. E o fado há-de existir sempre, ainda que este seja um fado-quase-canção. Podem, daqui a 100 anos, não vão lá estar as varinas, os marinheiros, a tragédia, a melancolia do fado – mas isso só faz de Lisboa, menina e moça mais intemporal, que o fado atual já não se constrói de clichés. [...]
![]() |
| Fot.a de Filipa Fernandez, na p. 15 do «Público - rep.a daí |
Recortes:
QUE HORAS SÃO AÍ?
Lisboa continua a ser uma cidade literária. Isto é, uma cidade que não coincide necessariamente com a sua geografia visível. Uma cidade que é maior do que aquela que a cartografia designa. O trabalho de um escritor não é só uma operação de desmontagem do tempo: ele faz o mesmo em relação ao espaço. Em parte a cidade, tal qual historicamente se apresenta, pode ser reconhecível no que escrevem. Há a Lisboa de Cesário Verde e de Pessoa, de Saramago, Cesariny, Lobo Antunes ou [...]
Sei que muitos italianos vêm a Lisboa trazendo na bagagem o romance “Afirma Pereira”, de Antonio Tabucchi. E que vão tomar café ao Orquídea seguindo os passos do protagonista ou se metem no 28 para verem como Lisboa é lentamente metafísica e cansada ou são mais benévolos a julgar a ventania do entardecer do que alguma vez os locais o serão. [...]
A este propósito, Lisboa tem uma grande dívida para com Tabucchi, [...] Num conto inédito, que acaba de ser editado em Itália, e que se intitula “Que Horas São Aí?”, é essa exatamente a intriga. Lojas que deixaram de existir e foram substituídas por outras, lacunas, distâncias e dobras que o tempo acentua, enigmas deixados em herança, ruas e sofrimentos que os mapas não assinalam. Face a isso, a tarefa da literatura é dupla: por um lado, tornar consciente em nós o impacto avassalador da vida, mas, por outro, tentar uma espécie de reparação. Que Tabucchi explica assim: a história é uma criatura glacial, não tem piedade de nada nem de ninguém. Mas a literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada.
«Expresso», n.º 2511, «E» – [Revista], 11 - 12 - 2020, p. 90
- em página do «Ípsilon», com «videoclip» de Gonçalo Guerra, para o «single» «Salvadora»
- Documentário de Televisão Paraguaia, em que o Guia é Fernando Savater: no «YT»- AQUI
- Filme - Roteiro de 2016, 17 (?), antes projectado em «Exposição», de «Origem Madrilena», pela(s) Lisboa(s) - no «YT» - AQUI
40 dias antes do Incêndio...;
copiada do «Blogue» de Marco Neves, onde estão os Créditos da Foto e uma Crónica.
![]() |
| R. Nova do Carvalho, no «Dossiê Fotográfico» de Rita Carmo, no «Expresso», a 06 - 04 |

![]() |
| Fotografada da Pág. 42 - da série «Linha de Água»? |
![]() |
| Foto de R. M., copiada do EXP. |