Tudo começou na Alemanha há onze anos. O Teatro Hebell convidou os Rimini Protokoll para fazer um retrato da cidade de Berlim, por ocasião do seu 100.º aniversário. [...]‘vamos convidar a cidade inteira para subir ao palco’”, conta ao PÚBLICO Helgard Haug, um terço dos Rimini Protokoll. “Como percebemos que provavelmente não seria possível, chegámos ao número 100”, continua. 100 anos de Teatro Hebell, 100 pessoas, 100% Berlim. [...] Uma centena de pessoas, sem ligação ao mundo do espectáculo, no palco para fazer o retrato de Berlim em 2008. Desde então, os Rimini Protokoll já aplicaram o mesmo molde a outras 35 cidades, [...] Agora, chegou a vez da capital portuguesa. 100% Lisboa para nos contar o que é esta cidade [...]
Não se ouvem aves; nem o choro duma nora! / Tomam por outra parte os viandantes; / E o ferro e a pedra - que união sonora! - / Retinem alto pelo espaço fora, / Com choques rijos, ásperos, cantantes. «Cristalizações», Cesário Verde
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
«O Nome da Cidade (Digo ...)»
- Crónica, de Catarina F. Almeida, em «As palavras do regresso» [«Blogue» de Joel Neto; já não]
Excerto final:
Excerto final:
[...] Numa rua do Castelo, à frente de um quartel desabitado com a melhor vista fantasma da cidade, mora ainda a minha infância. Levo comigo, para toda a parte, as portadas brancas dessa casa onde o sol não entra, mas avança. Adoro o som dos meus passos no soalho de madeira, a voz clara dos poetas brasileiros que os meus pais ouviam de manhã, e a casa dos avós, ali tão perto, que se atravessava a passos largos, nas tardes de luz e de ópera. Por vezes, ouço o grito solitário dos pavões, cativos nos jardins de São Jorge, e lá por dentro estremeço: o que é voltar a casa? De que fios se urde a sensação, haverá algum segredo, alguma fórmula para descrever o lugar onde nos esperam, intactas, as nossas ilusões?
Vejo Lisboa de cima, recortada na asa do avião, aparecida no fundo de uma cortina de nuvens, distante ainda, mas evidente – e a cidade atinge-me com a força de tudo o que ainda sou. Nas suas ruas, ao entardecer, conspiro a minha próxima errância. Naquela esquina de que me esqueço, e onde alguém tentou escrever um verso, volto a encher-me de esperança. De todos os lugares do mundo, só Lisboa me vê partir. Há nela uma passagem para o eterno que não chega a ser secreta, porque o lugar de onde somos nunca o tempo o fez ruir.
sábado, 10 de novembro de 2018
Lisboa(s) [Fotogramas Soltos das] - Cardoso Pires
- Leituras, «Videografadas» - (de 2008) - de «Lisboa, Livro de Bordo»...
- do Arquivo-Videoteca Municipal; no YT
- do Arquivo-Videoteca Municipal; no YT
domingo, 21 de outubro de 2018
«Cá vai a smart Lisboa...» - OU «Turista não descansa»
- [já nem ao domingo de manhã se pode ir ao CH...]
- 8:30 - esquina da José Falcão - várias trotinetes esperam ser recolhidas... [Neg. - Tecno explora mais ou menos os Trab.s, tornados «recibos verdes»?]
- 8:45 - na outra esquina, grande (e abrasiva) Poça de Mj., junto à caixa da EDP...
- 9:45 - na Docel, antes do serv. religioso, a Geração do Leste da ponte V. da G. (agora avó) dedica-se aos «duchesses»...
[ah, e o senhor que D. pensava ter sido Func. no P. M., fora afinal o Func. do Teatro Anatómico da Nova, o sr. Carlos....; eh, eh...]
[ah, e o senhor que D. pensava ter sido Func. no P. M., fora afinal o Func. do Teatro Anatómico da Nova, o sr. Carlos....; eh, eh...]
- 10 e 45: duas «chinfrineiras»: a do «Speaker» (de conversa Idiota...) da «Corrida Montepio» (tudo Laranja), em pleno Parque de Diversões Rossio; a das Rodinhas da Malta do Norte, Ch. abaixo...
- 11:30: subindo para a Penha, constata-se que é mais difícil a um Turista fazer-se passar por LIsb.a do que... [«e o resto não se diz...»]
- ” Ser smart não é vender a alma ao turismo" - frase de arquitecto, citada
na crónica «Lisboa é um donut com chantilly», de Bárbara Reis, de 02 de Novembro, no Público
- ” Ser smart não é vender a alma ao turismo" - frase de arquitecto, citada
na crónica «Lisboa é um donut com chantilly», de Bárbara Reis, de 02 de Novembro, no Público
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Lisboa Cidade Branca (Tanner)
- é de 83, o filme (de 5 anos antes do INC. no CH....);
- deve «andar por aí» o DVD em que o viu; já foi há muitos anos..., mas D. lembra-se do Jogo de identificar os cenários do filme no Mapa, sempre em transformação, da Cidade e, também, no Mapa de Infância de D....; e agora, será no Mapa da Lisboa Turisticada...
- deve «andar por aí» o DVD em que o viu; já foi há muitos anos..., mas D. lembra-se do Jogo de identificar os cenários do filme no Mapa, sempre em transformação, da Cidade e, também, no Mapa de Infância de D....; e agora, será no Mapa da Lisboa Turisticada...
- entretanto, pode ser «revisto» no YouTU
domingo, 19 de agosto de 2018
«Daqui, desta Lisboa...» - O'Neill
Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por suiços habitada,
onde a tristeza vil e apagada
se disfarça de gente mais activa;
daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira de vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;
daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem
lá no soneto e vão com Deus…
Alexandre O’Neill, Poesias completas…, 2017, p. 279
domingo, 5 de agosto de 2018
domingo, 22 de julho de 2018
Pátio da Galega
- fotografado da p. 10 de «Pátios de Lisboa - Aldeias entre muros», de Ana Cristina Leite, João Francisco Vilhena, Caminho, 1991 - deixado na «Mesa das Trocas», com PÓ e cheiro; levado pela D. A., pagem da C. R. [...]
- ficava em frente de um dos ESTAM. onde o menino D. se «abastecia» quase diariamente de «B. D.» [...]
- fica à Boavista e não a S. Paulo; legenda incorrecta, portanto
- mais, AQUI
domingo, 3 de junho de 2018
«Lisboa vestigial»
- enquanto houver MEMO, D. poderá colocar a sua Lisboa «em frente» desta, depois...
- Lx. em Roteiro de jornalista brasileiro, no Público de hoje:
Recorte Final:
Na errância, dos becos da Alfama caio num plano inóspito da Rua da Alfândega. Constato que o cais não recebe mais invasores, comerciantes, artistas, aventureiros, muito menos amantes. Agora, a cidade turística mata a sede dos curiosos e quase tudo está fora de alcance. Resta a partida, o Tejo e o mar.
quarta-feira, 11 de abril de 2018
«Lisbon Revisited»
- é o verso de Campos, são os poemas fotográficos, que percurso o deste Livro...;
- dossiê do OBS sobre mais uma EXPO
- do Público
sexta-feira, 23 de março de 2018
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
«Lisboa revisitada» - Castro Mendes
- convocar João Zorro, Fiama e Pessoa (Campos e «Mensagem») em seis versos é Obra...
LISBOA REVISITADA
Perdem as casas suas várias cores
e as barcas novas aguardam melhor maré,
à falta de vento.
Deixámo-nos ficar?
Há uma nau que nunca regressou.
Essa será a nossa.
LISBOA REVISITADA
Perdem as casas suas várias cores
e as barcas novas aguardam melhor maré,
à falta de vento.
Deixámo-nos ficar?
Há uma nau que nunca regressou.
Essa será a nossa.
Luís Filipe Castro Mendes, Outro Ulisses regressa a casa, Assírio & Alvim, 2016, p. 15
domingo, 31 de dezembro de 2017
Chiado
- ao lado, no
«Visita Guiada»,
Oliveira Martins fala
das Igrejas do Chiado...
- desenho de
artigo do
DN, de hoje,
DAQUI
«Visita Guiada»,
Oliveira Martins fala
das Igrejas do Chiado...
- desenho de
artigo do
DN, de hoje,
DAQUI
domingo, 26 de novembro de 2017
Rossio (Estação e Túnel)
![]() |
| Ilustração de Mara Silva., fotografada da p. 15 |
[Há monstros no túnel] Adq. no sábado no Superm. P. D., é o livro premiado na 4.ª ed. ...[...];
- irá para a Bib. «antecipada» de M....
- irá para a Bib. «antecipada» de M....
Do autor do texto, Diogo A. Pécurto (apelido que só poderia vir do A...) é referido "que sonha morar na Castinceira dos avós, no Alentejo profundo..."
O protagonista, Diogo, vem da periferia e adormece no túnel do Rossio, «viajando» pelo percurso de LX., por onde a seguir viajará...
Excerto:[...] E esta voz na minha cabeça, quem é?!
«Sou eu!»
OK Diogo, mantém-te calmo, tens cinco anos e uns trocos, menos do que gostarias, mas quase seis.[...], p. 14
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Ribeira das Naus
![]() |
| fotografado da «Estampa» |
- a última «estampa» da Coleção do DN, com fotos de 1948, em «confronto» com actuais...
- texto que as acompanha:
"Em 18 de Agosto de 1948, o DN anunciava a abertura da nova Avenida da R. das N. [...] Era tanta a pressa de aliviar a paralela Rua do Arsenal, congestionada pelos eléctricos, que foi inaugurada sem estar ainda toda pavimentada. Era verão e a Câmara mandou um autotanque para, à mangueirada, pousar a poeira... A Avenida "mordia" em terrenos do Arsenal da Marinha, abrindo-os para a solução actual, que os recuperou para passeio público. Duas fotos, dois momentos, um mesmo fado, juntar o Tejo a Lisboa."
sexta-feira, 21 de julho de 2017
sexta-feira, 2 de junho de 2017
«Lisboa, Menina e Moça...»), por R. A. P.
![]() |
| ILUST. de João Fazenda |
- lida hoje, na habitual página da Visão - em pastiche sarcástico com o famoso poema de Ary dos Santos
- COMP, AQUI
Recortes:
No Castelo ponho um cotovelo mesmo em cima da casa da Monica Belluci, em Alfama descanso o olhar no apartamento do Michael Fassbender, [...] À Ribeira encosto a cabeça, almofada da cama do Tejo repleto de navios de cruzeiro, [...] Lisboa menina e moça, menina, da luz que os meus olhos vêem, tão pura, embora ligeiramente obscurecida pelo fumo dos tuk-tuks, teus seios são as colinas, varina cujo nível de vida piorou [...] Cidade a ponto-luz bordada, toalha à beira-mar estendida sobre a qual turistas ébrios curam ressacas. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida [...]No Terreiro eu passo por ti e posso adquirir várias bugigangas em cortiça, [...] Mas na Graça eu vejo-te nua, [...]És mulher da rua porque até às três não vale a pena ires para casa, [...] . E no bairro mais alto do sonho, aquele em que mora o Éric Cantona, ponho um fado [...]Lisboa no meu amor deitada, pagando 350 euros por dormida, cidade por minhas mãos despida para pôr o vestido à venda numa loja de roupa vintage do Bairro Alto. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida com rendas pela hora da morte.
- Crónica publicada na VISÃO 1265, de 1 de junho de 2017 - [sublinhados acrescentados]
quarta-feira, 29 de março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
«Cais do Sodré»
- foi um dos «destaques» de ontem..., na Casa do Público, artigo com vídeo «panorâmico» - AQUI
sexta-feira, 17 de março de 2017
Santa Justa (Elevador) - Ana Marques Gastão
[o livro é de Setembro de 2015; foi um dos que a General Z., há tempos, «determinada», «despejou», da (mesa) da Sala, para o Pavimento do ESC...; só agora foi «relocalizado»...
ELEVADOR
O de Santa Justa tem unhas e olhos de
púrpura, não se rende aos pecados dos
homens e, como um monstro, lança os
braços pelas janelas e deixa-se cair pela
escadaria que dá para o Ouro e a Prata.
Cintilam degraus sem glória, graças aos
cabelos de motor na cidade submersa.
Ninguém suporta a estreiteza do espaço
ouvem-se bramidos por dentro do metal,
o amor gira em controvérsia sabendo que
tudo nele se fundou e logo se desfaz. Algo
detém o homem e a mulher no seu He He
de altura da dor, da largura da falta, do pão
fresco ausente. Ela é perfume virtual. Ele,
já a partir, parece, um avião de asas-cruz.
Ana Marques Gastão, L de Lisboa, 2015, Assírio & Alvim, p. 46
domingo, 12 de março de 2017
«RUA DA ROSA: O POMBO» - F. A. P.
[J. foi à estante «Nobre», buscar A Musa Irregular, para (re)verificação de «As Balas»...; e estava este outro marcado com «p-it», de outra «ocasião»...; qual, não se lembra, nem porquê, claro ...]
RUA DA ROSA, LISBOA: O POMBO
Se o galo gala o pombo pomba? este pombava
ao sol das três da tarde lisboeta num passeio da Rua da Rosa
senhor de si não digo nem arrogante mas com alguns
direitos v. g. do apetite
pombava enquanto carros subiam em segunda aí está cauteloso
o peito inflado as penas do rabo num leque amorável sendo
nele tudo isto a «a procura de Deus derramado na urbe»
a vinte e dois anos e meio do fim do mundo
ó futurólogos que não me largais
preciso para o voyeur: pombava e dançava e nos intervalos
céleres da dança pombava ainda apesar de tudo obsequioso
com a fêmea não fosse ela sôbolos pneus que rodam
rua acima ficar-se como a amiga de Ignacio Morel (in Ramón J. Sender)
igual a mim quando pombo ia pombando este pois que se trata
de a buscar sempre mesmo repetida
de uma geração a outra aquilo que é soberbo o amor a novidade
direitos v. g. do apetite
pombava enquanto carros subiam em segunda aí está cauteloso
o peito inflado as penas do rabo num leque amorável sendo
nele tudo isto a «a procura de Deus derramado na urbe»
a vinte e dois anos e meio do fim do mundo
ó futurólogos que não me largais
preciso para o voyeur: pombava e dançava e nos intervalos
céleres da dança pombava ainda apesar de tudo obsequioso
com a fêmea não fosse ela sôbolos pneus que rodam
rua acima ficar-se como a amiga de Ignacio Morel (in Ramón J. Sender)
igual a mim quando pombo ia pombando este pois que se trata
de a buscar sempre mesmo repetida
de uma geração a outra aquilo que é soberbo o amor a novidade
Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso, 1980, transcrito da p. 117 de A Musa Irregular, 1991
sexta-feira, 3 de março de 2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Rua Garrett, 37: Querubim Conventual
![]() |
| Fotos de Miguel Manso |
- mesmo cedo, a um domingo, rapidamente o espaço encheu; uma das Oficiantes informou que só tinham aberto a 27 de Janeiro...;
- passar da Lotaria àquele «mar de Amarelo», com Querubim «em volta» é Obra; o artigo da «Fugas», de sábado, relata a preservação das Placas Cerâmicas...:
[...] Os dois anos de obras foram preenchidos por preocupações para conseguir preservar o património da antiga Casa da Sorte: o resultado de um trabalho “com características únicas” de articulação entre um arquitecto (Francisco Conceição Silva, 1922-1982) e um ceramista (Querubim Lapa, 1925-2016), comenta à Fugas Rita Gomes Ferrão, historiadora da Arte. [...]
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Lisboa (ao Som de)
- livro, projeto, objeto...
[relocalizado]
- no endereço da «Letra Pequena» - AQUI
- «Casa do Lançamento» - FRancisca Ramalho - AQUI e AQUI
[relocalizado]
- no endereço da «Letra Pequena» - AQUI
- «Casa do Lançamento» - FRancisca Ramalho - AQUI e AQUI
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
João do Rio (praça) - Manuel Alegre
PRAÇA JOÃO DO RIO
OU
O SEGUNDO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE
Lisboa é esta praça com árvores e com pássaros
melros piscos toutinegras rouxinóis
e barcos inconcretos nos telhados onde
o azul do céu é já um mar do avesso
um reflexo do Tejo ou talvez um
pressentimento de ocidente ocaso Cabo Raso
um navegar só verbo em navio nenhum.
Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que não se vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
Lisboa é esta praça e esta janela
minha nau capitânia sobre o insondável
dentro de casa eu vou de caravela
Bartolomeu Dias neste mar inavegável
não há Índia perdida que não possa ser achada
Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
este embarcar no azul até chegar àquela margem
em cuja linha só o abstrato pensamento passa
a margem única e absoluta não mais que pura imagem
sem precisar sequer sair da Praça
João do Rio número onze quarto direito
onde eu Ulisses vou à proa
além de qualquer cabo e qualquer estreito
em Lisboa por dentro de Lisboa.
OU
O SEGUNDO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE
Lisboa é esta praça com árvores e com pássaros
melros piscos toutinegras rouxinóis
e barcos inconcretos nos telhados onde
o azul do céu é já um mar do avesso
um reflexo do Tejo ou talvez um
pressentimento de ocidente ocaso Cabo Raso
um navegar só verbo em navio nenhum.
Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que não se vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
Lisboa é esta praça e esta janela
minha nau capitânia sobre o insondável
dentro de casa eu vou de caravela
Bartolomeu Dias neste mar inavegável
não há Índia perdida que não possa ser achada
Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
este embarcar no azul até chegar àquela margem
em cuja linha só o abstrato pensamento passa
a margem única e absoluta não mais que pura imagem
sem precisar sequer sair da Praça
João do Rio número onze quarto direito
onde eu Ulisses vou à proa
além de qualquer cabo e qualquer estreito
em Lisboa por dentro de Lisboa.
Manuel Alegre, Livro do Português Errante, 2001, D. Quixote, pp. 39, 40
![]() |
| Inscrito na pedra - imagem do Sítio da C. M. - DAQUI |
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
«Da D. Carlos até ao Chile» - Manuel Alegre
LISBOA COM CESÁRIO E MELANCOLIA
1.
Há uma tal intensidade de Cesário
em certas horas de maior melancolia
que até o arranque de um eléctrico solitário
tem um não sei quê de alexandrino ao fim do dia.
2.
Passeei hoje por Lisboa a pé
como por dentro de um poema de Cesário.
Da D. Carlos até ao Chile
foram estrofes e estrofes de ferragens
bugigangas bulício maresia
com imagens do Tejo de passagem
armazéns onde cheira a especiaria
e gente em cujo rosto há ainda um rastro
um resto de viagem e melancolia.
1.
Há uma tal intensidade de Cesário
em certas horas de maior melancolia
que até o arranque de um eléctrico solitário
tem um não sei quê de alexandrino ao fim do dia.
2.
Passeei hoje por Lisboa a pé
como por dentro de um poema de Cesário.
Da D. Carlos até ao Chile
foram estrofes e estrofes de ferragens
bugigangas bulício maresia
com imagens do Tejo de passagem
armazéns onde cheira a especiaria
e gente em cujo rosto há ainda um rastro
um resto de viagem e melancolia.
12.11.93
Manuel Alegre - transcrito da p. 817, da Obra Poética, 2000
domingo, 18 de dezembro de 2016
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Glória (Elevador da)
Do «P3» - DAQUI
«Lisboa Taciturna e um pequeno clarão de luz»
Recortes: [...] Rui Rodrigues, 39 anos, trabalha como designer (...) e começou a fotografar há cerca de dez anos "de forma esporádica". (...) Viveu em Torres Vedras muitos anos e hoje vive "a cidade com a luz mais bonita do mundo" na companhia do filho, que há dois anos ilumina uma galeria de fotos taciturnas e muitas vezes severas — "velhotes, pessoas cabisbaixas, nevoeiro, o Tejo oriental dos barcos e dos batelões". "(...) Cartier-Bresson disse que "a fotografia é colocar na mesma linha de visão a cabeça, o olhar e o coração". A fotografa de Rui entende esse equilíbrio.
domingo, 27 de novembro de 2016
«Lisboa, Uma Grande Surpresa»
- É o título da exposição que resulta da recente reescrita da História - neste caso da Fotografia «sobre» Lisboa
- uma década (1898-1908) de exaustivo levantamento - agora «resgatada» de um século de Anonimato
- é Obra
- história «de uma Lisboa Triste» contada por Sérgio B. Gomes no «P2» de hoje
- uma década (1898-1908) de exaustivo levantamento - agora «resgatada» de um século de Anonimato
- é Obra
- história «de uma Lisboa Triste» contada por Sérgio B. Gomes no «P2» de hoje
domingo, 6 de novembro de 2016
sábado, 29 de outubro de 2016
URGENTE: alguém faça um destes para Lisboa...
Lido no «Fugas» - AQUI
- Joana Estrela, «designer» e Ilustradora, editou um MAPA com a lista dos «10 melhores lugares do Porto para CHORAR...»
- vão (da casa de banho) «da cave do bar Plano B, junto à Torre dos Clérigos» até à Foz (“que podia ser mais perfeito que olhar o mar e chorar?”), passando pelo “paraíso dos gatos”, pela «Casa da Mariquinhas» (rest.), «Prado do Repouso» (cemit.) e OUTROS... - vai ser de «rir e chorar por mais», certamente...
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Lisboa («Nocturno de») - Eugénio
NOCTURNO DE LISBOA
Pela noite adiante, com a
morte na algibeira,
cada homem procura um rio
para dormir,
e com os pés na lua ou num
grão de areia
enrola-se no sono que lhe
quer fugir.
Cada sonho morre às mãos
doutro sonho.
Dez reis de amor foram gastos
a esperar.
O céu que nos promete um anjo
bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.
Eugénio de Andrade (1923-2005), de Os amantes sem dinheiro (1950)
domingo, 9 de outubro de 2016
sábado, 8 de outubro de 2016
«Luzboa» - «Ilha dos Amores» - «V Império»
![]() |
«De Nuno Gama não se pode dizer que não parte um prato. Pôs 78 homens alinhados na Praça do Império, todos de prato em riste. Cada prato tem uma palavra. [...] último acto do único grande desfile aberto ao público da ModaLisboa. De repente, as palavras – “badalhoco”, “bissexual”, “preconceito”, “muçulmano”, “caixa d’óculos” ou “diferença” – vão ao ar e despedaçam-se no chão. E a banda continua a tocar.
O sol abrasador deste sábado em Belém recebeu a colecção de Gama para o próximo Verão, vinda da Ilha dos Amores a caminho do V Império. Luzboa, [...]
Recorte do texto de Joana Amaral Cardoso, do Público - DAQUI Fotógrafo identificado |
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
«Chafariz de Dentro» + «a Verdinha» de J. B....
- por volta dos 16' 25'', do programa «Literatura Aqui», de 5 de Julho, da RTP 2, J. B. como «Cicerone» da narrativa com que participou na Obra «Ler e Ver Lisboa»... e dos seus próprios percursos pela cidade...
- [quanto ao livro, parece que será necessário ir ao Saldanha, à L. M....]
domingo, 15 de maio de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Roteiro - em «5 Etapas»
- com partida e regresso ao Jardim Constantino - com diverso material, sugestões, informações... - a percorrer, no próximo Verão?
- «Da Rua das Barracas à da Inveja» - no Observador
- «Da Rua das Barracas à da Inveja» - no Observador
sexta-feira, 22 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
«Os meninos e as meninas» - Querubim Lapa
'Os Meninos e as Meninas', na Escola Mestre Querubim Lapa, em Campolide, Lisboa
| PAULO SPRANGER / GLOBAL IMAGENS -
do «DN» |
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