terça-feira, 29 de outubro de 2019

EM LISBOA (Cesariny e o retrato...) , Al Berto

Fotografada da Pág. 42 -
 da série «Linha de Água»?
- [8 e 33; espera-se que o «Homem de Setúbal» venha acabar...]
- raro será o ano em que F. não leve «Paul Klee e o peixe do lume» ...; ora, quando a «Orelhas» do Canto, que se «finge difícil, desligando», apareceu com um livro desse «Ex-AA», como se «fosse a descoberta da pólvora», F. levou-o já; «post-it» antigo assinalava este outro ...: 




CESARINY E O RETRATO ROTATIVO DE GENET EM LISBOA

ao lusco-fusco mário
quando a branca égua flutua ali ao príncipe real
as bichas visitam-nos com as suas cabeças ocas
em forma de pêndulo abrem as bocas para mostrar
restos de esperma viperino debaixo das línguas e
com o dedo esticado acusam-nos de traição
[...]

lá fora mário
longe da memória lisboa ressona esquecendo
quem perdeu o barco das duas ou se aquele que caminha
será atropelado ao amanhecer ou se o soldado
que falhou o degrau do eléctrico para a ajuda fode
ou ajuda ou não ajuda e se lisboa num vão de escadas
é isto
tão triste mário sobre o tejo um apito

Al Berto, A secreta vida das imagens, Contexto, 1991, p. 43



sábado, 26 de outubro de 2019

«Cheira Bem, cheira a Lisboa», por M. E. C.

- é irresistível trautear a «Velha Música», ao ler-se a Crónica de hoje de MEC...
RECORTE:
[...] Saímos do Largo do Camões pelo Chiado fora, registando melhorias, ausências, novidades e desilusões.
“Aqui era a Pastelaria Marques”, digo eu à Maria João, apontando o que é hoje a Stradivarius. Mas ela é novita e não se lembra da Marques.Maior foi a minha melancolia: era a pastelaria favorita da minha mãe. Eu preferia a Ferrari e não era, como teimava a minha mãe, por causa da marca de automóveis – era por causa dos folhados de carne, dos babás de rum, dos duchaises e dos batidos de morango.
Fomos lanchar à Confeitaria Nacional, o último reduto da velha guarda, onde há bolo-rei à fatia, mesas vazias, empregados exímios, clientes felizes e um mundo inteiro de delícias por provar. [...]

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Lisboa Ribeirinha, 1936 + Dia 6 da Obra

- um dos primeiros Retratos da Lx. de 36, , no «Ano da Morte de R. R.»....
- relido de manhã, pelas 7 e 45, ao balcão do Estaminé do Sr. Del.. + Ag., enquanto esperava pela «outra Equipa»....
- (expressão ontem usada pelo Setubalense A., Canal.or «à Antiga Portuguesa» (sim, ainda há disso...):


domingo, 30 de junho de 2019

Almirante Reis (as duas faces da)

- desfile de rostos, com «propostas» de agentes imobiliários como «pano de fundo» - DOC. de Filipe Penajóia - no P3, do Público

- [fechado definitivamente o «Capítulo 124», por aí continua D. a circular diariamente]

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Rossio: café Gelo (Vítor Nogueira)

Foto de R. M., copiada do EXP.
- dele, na Estante de W., só existe «Mar Largo» o seu «livro sobre o Rossio», de 2009; num  dos vídeos, o autor lê «Pontas», da p. 39, com a referência à Placa que assinala que Eça...; transcreve-se o da pág. 41. 




GELO
Agora é apenas um café com paredes adornadas, 
imagens retratando destemidos ancestrais.
O tempo foi passando, não foi? Um acidente
em câmara lenta a uma escala cataclísmica.

Grande parte daquilo que fazemos é construir
memória, uma promessa frágil ao futuro.
E pensar que na vida acumulamos tanta coisa,
sobretudo se por hábito não deitamos nada fora.

Mas ninguém pode travar a grande máquina.
Diz-se que a viagem conta mais do que o destino.
Perscruto as águas envolventes, em busca de
sombras, enquanto o mar revolto bate no casco.


Vítor Nogueira, Mar Largo, & etc, 2009, p. 41

quarta-feira, 17 de abril de 2019

«Escadinhas do Duque [...] escadinhas de Sísifo OU Aquiles no rasto de Cesário (Djaimilia P. de Almeida)

(inevitável, pensar no «Sentimento de UM OCIDENTAL» - ora dum Africano, Aquiles...)

No Rossio, as pessoas ainda voltam a casa. Aquiles passeia como se tivesse fugido de casa, como se tivesse deixado o pai para trás. A barriga colada às costas é a única recordação que tem de Cartola quando está no centro da cidade. Estão unidos pela fome.
Lisboa ganhou um nome e uma forma, fez-se Lisboa para ele. Agora, ao crepúsculo, a forma esbate-se e a cidade é um gás irrespirável. Anda por ela como um cão manco a farejar, um príncipe dos cães vadios. Aquiles vai invencível na solidão, enche o peito de ar, inspira contra o vento, resiste. Sente-se limpo, lavado, cheira o perfume que pôs no cabelo, o vento entra-lhe pelo nariz. Ele pode tudo, quer tudo, consegue tudo. É o homem que se encontrou sozinho em Lisboa.
E logo afrouxa à medida qua as ruas esvaziam como o mesmo cão sem esperança de que alguém o leve para casa, vai de gigante a formiga no tempo que leva a descer uma travessa.
[…]
De noite, perde o medo: é da cor da cidade, caminha sem o fardo de ser visto, ninguém dá por ele. Tem a cor dos pombos, dos vagabundos, dos gatos, das putas do Cais do Sodré, cuja cara não distingue vendo-as de passagem, os seus cabelos caju lambidos, os lábios gastos; da cor dos táxis estacionados a ouvirem relatos, da cor dos telhados, das estátuas, da cor do céu.
[…]
Para quê ter pressa de ir para casa? Os pombos dormem no Rossio pousados na estátua. Choveu e o chão da praça rebrilha à luz dos candeeiros. Ele é um marinheiro em terra, um pescador sem história, o nativo perfumado, o operário coxo.
Meu bom Aquiles, quão longe estás tu de casa? Já não há outra casa para além dos toldos da Rua Augusta, do cheiro a mijo das casas de banho do Terminal do Rossio, das Escadinhas do Duque, que sobe aos tombos, escadinhas de Sísifo. Não há pressa nem de ter casa nem de ter pai nem de ter mãe. A noite salva-o de estar sujo por dentro. Aquiles tem a cor da noite e não carrega aos ombros o fardo de ser quem é.

Djaimilia Pereira de Almeida, Luanda, Lisboa, Paraíso, 2018, Companhia das Letras, pp. 168 - 170


domingo, 10 de março de 2019

Glória (Rua e TRavessa da Conceição da)

cerca de 1950,  VIRGINIA WATLAND/
ARCHIVE PHOTOS/GETTY IMAGES

- foto duma esquina, de uma fotógrafa estrangeira [...]; marçano - varina - «mercearias finas + vinhos finos...»; D. lembra-se bem «desta» Lisboa...

- (na R. da G.,  no H. SS. A., entre Abril de 86 e Nov. de 89, D.  «vegetará» ..., para finalmente concluir uma FAC....)

- fotograf., após o Café na [...], da p. 16 do «P2» - dossié sobre as fotógrafas estrangeiras que, em décadas de FASc., documentaram PORT. [...]


- da legenda: "fotografia de Virginia Watland, captada durante a década de 1950. As imagens de mulheres com cargas à cabeça são uma constante na produção imagética de Portugal desta época."

domingo, 3 de março de 2019

«Cidade Triste e Alegre» na barbearia «Marítima»...

- [«Marítima», como o clube que organizava a Marcha...; como o nome da profissão de quem lá morava...]
- umas vezes, o Pai Velho mandava o Menino ao Sr. Fernando, na Calçada Salvador....
- noutras, ao sr. Manuel, na Calçada da B. Grande... 
[é ainda o sr. Manuel que «participa» no Vídeo da série «Voz» (2005?) , em que Paulo Pires lê «Lisbon R., 26»]

- [transformada em habitação...: n.ºs 4 e 4-A]

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Rua de S. José: «A Minhota»



Desenho e texto reproduzido
do blogue do Sr.**
Continuando a descer a Rua de São José, chego aos números 138-140. Um edificío que tem a bonita leitaria "A Minhota", referenciada nas Lojas com História. O azulejo exterior é lindíssimo. Existe desde 1927.
A casa está um pouco desleixada, sem a preocupação de melhorar as montras. Não costumo ir lá beber café, sendo mais um ponto de encontro das pessoas mais velhas do bairro. [...]




- longa rua, paralela à Avenida e à Rodrigues Sampaio, por onde D. deambulava, na fase SMT e MED (entre 75 e 78...)...
- desenhadas as fachadas dos comércios Tradicionais, em Fecho Imparável - no P3 - por um sr. Contab.-sketcher.**..

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Lisboa: «street art em todas as esquinas»




- Lisboa ilustrada por casal canadiano, ambos profissionais, que destacam:
«comida deliciosa, música no ar, street art em todas as esquinas, clima óptimo, pessoas amigáveis e, claro, todos os maravilhosos edifícios coloridos e com azulejos" - no P3


(imagem da página do Artista)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

100 lisboetas no palco

Tudo começou na Alemanha há onze anos. O Teatro Hebell convidou os Rimini Protokoll para fazer um retrato da cidade de Berlim, por ocasião do seu 100.º aniversário. [...]‘vamos convidar a cidade inteira para subir ao palco’”, conta ao PÚBLICO Helgard Haug, um terço dos Rimini Protokoll. “Como percebemos que provavelmente não seria possível, chegámos ao número 100”, continua. 100 anos de Teatro Hebell, 100 pessoas, 100% Berlim. [...] Uma centena de pessoas, sem ligação ao mundo do espectáculo, no palco para fazer o retrato de Berlim em 2008. Desde então, os Rimini Protokoll já aplicaram o mesmo molde a outras 35 cidades, [...]  Agora, chegou a vez da capital portuguesa. 100% Lisboa para nos contar o que é esta cidade [...]

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

«O Nome da Cidade (Digo ...)»

- Crónica, de Catarina F. Almeida, em «As palavras do regresso»   [«Blogue» de Joel Neto; já não]

Excerto  final:
[...] Numa rua do Castelo, à frente de um quartel desabitado com a melhor vista fantasma da cidade, mora ainda a minha infância. Levo comigo, para toda a parte, as portadas brancas dessa casa onde o sol não entra, mas avança. Adoro o som dos meus passos no soalho de madeira, a voz clara dos poetas brasileiros que os meus pais ouviam de manhã, e a casa dos avós, ali tão perto, que se atravessava a passos largos, nas tardes de luz e de ópera. Por vezes, ouço o grito solitário dos pavões, cativos nos jardins de São Jorge, e lá por dentro estremeço: o que é voltar a casa? De que fios se urde a sensação, haverá algum segredo, alguma fórmula para descrever o lugar onde nos esperam, intactas, as nossas ilusões? 
      Vejo Lisboa de cima, recortada na asa do avião, aparecida no fundo de uma cortina de nuvens, distante ainda, mas evidente – e a cidade atinge-me com a força de tudo o que ainda sou. Nas suas ruas, ao entardecer, conspiro a minha próxima errância. Naquela esquina de que me esqueço, e onde alguém tentou escrever um verso, volto a encher-me de esperança. De todos os lugares do mundo, só Lisboa me vê partir. Há nela uma passagem para o eterno que não chega a ser secreta, porque o lugar de onde somos nunca o tempo o fez ruir.

sábado, 10 de novembro de 2018

Lisboa(s) [Fotogramas Soltos das] - Cardoso Pires

- Leituras, «Videografadas» - (de 2008) - de «Lisboa, Livro de Bordo»...
- do Arquivo-Videoteca Municipal; no YT

domingo, 21 de outubro de 2018

«Cá vai a smart Lisboa...» - OU «Turista não descansa»

- [já nem ao domingo de manhã se pode ir ao CH...]

- 8:30 - esquina da José Falcão - várias trotinetes esperam ser recolhidas... [Neg. - Tecno explora mais ou menos os Trab.s, tornados «recibos verdes»?]
- 8:45 - na outra esquina, grande (e abrasiva) Poça de Mj., junto à caixa da EDP...
 - 9:45 - na Docel, antes do serv. religioso, a Geração do Leste da ponte V. da G. (agora avó) dedica-se aos «duchesses»...
[ah, e o senhor que D. pensava ter sido Func. no P. M., fora afinal o Func. do Teatro Anatómico da Nova, o sr. Carlos....; eh, eh...]
- 10 e 45: duas «chinfrineiras»: a do «Speaker» (de conversa Idiota...) da «Corrida Montepio» (tudo Laranja), em pleno Parque de Diversões Rossio; a das Rodinhas da Malta do Norte, Ch. abaixo...
- 11:30: subindo para a Penha, constata-se que é mais difícil a um Turista fazer-se passar por LIsb.a do que... [«e o resto não se diz...»]

- ” Ser smart não é vender a alma ao turismo" -  frase de arquitecto, citada 
na crónica «Lisboa é um donut com chantilly», de Bárbara Reis, de 02 de Novembro, no Público

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Lisboa Cidade Branca (Tanner)

- é de 83, o filme (de 5 anos antes do INC. no CH....); 
- deve «andar por aí» o DVD em que o viu; já foi há muitos anos..., mas D. lembra-se do Jogo de identificar os cenários do filme no Mapa, sempre em transformação, da Cidade e, também, no Mapa de Infância de D....; e agora, será no Mapa da Lisboa Turisticada...
- entretanto, pode ser «revisto» no YouTU

domingo, 19 de agosto de 2018

«Daqui, desta Lisboa...» - O'Neill

Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por suiços habitada,
onde a tristeza vil e apagada
se disfarça de gente mais activa;

daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;

daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira de vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;

daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem lá no soneto e vão com Deus…

Alexandre O’Neill, Poesias completas…, 2017, p. 279



domingo, 5 de agosto de 2018

domingo, 22 de julho de 2018

Pátio da Galega


- fotografado da p. 10 de «Pátios de Lisboa - Aldeias entre muros»,  de Ana Cristina Leite, João Francisco Vilhena, Caminho, 1991 - deixado na «Mesa das Trocas», com PÓ e cheiro; levado pela D. A., pagem da C. R. [...]

- ficava em frente de um dos ESTAM. onde o menino D. se «abastecia» quase diariamente de «B. D.» [...]

- fica à Boavista e não a S. Paulo; legenda incorrecta, portanto

- mais, AQUI

domingo, 3 de junho de 2018

«Lisboa vestigial»

- enquanto houver MEMO, D. poderá colocar a sua Lisboa «em frente» desta,  depois...
- Lx. em Roteiro de jornalista brasileiro, no Público de hoje:

Recorte Final:
Na errância, dos becos da Alfama caio num plano inóspito da Rua da Alfândega. Constato que o cais não recebe mais invasores, comerciantes, artistas, aventureiros, muito menos amantes. Agora, a cidade turística mata a sede dos curiosos e quase tudo está fora de alcance. Resta a partida, o Tejo e o mar.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

sexta-feira, 23 de março de 2018

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

«Lisboa revisitada» - Castro Mendes

- convocar João Zorro, Fiama e Pessoa (Campos e «Mensagem») em seis versos é Obra...

LISBOA REVISITADA

Perdem as casas suas várias cores
e as barcas novas aguardam melhor maré,
à falta de vento.
Deixámo-nos ficar?

Há uma nau que nunca regressou.
Essa será a nossa.

Luís Filipe Castro Mendes, Outro Ulisses regressa a casa, Assírio & Alvim, 2016, p. 15 

domingo, 31 de dezembro de 2017

Chiado

- ao lado, no 
«Visita Guiada», 
Oliveira Martins fala 
das Igrejas do Chiado...

- desenho de 
artigo do 

DN, de hoje, 
DAQUI 

domingo, 26 de novembro de 2017

Rossio (Estação e Túnel)

Ilustração de Mara Silva., fotografada da p. 15
[Há monstros no túnel] Adq. no sábado no Superm. P. D., é o livro premiado na 4.ª ed. ...[...];
- irá para a Bib. «antecipada» de M....
Do autor do texto, Diogo A. Pécurto (apelido que só poderia vir do A...) é referido "que sonha morar na Castinceira dos avós, no Alentejo profundo..."
O protagonista, Diogo, vem da periferia e adormece no túnel do Rossio, «viajando» pelo percurso de LX., por onde a seguir viajará...
Excerto:
[...] E esta voz na minha cabeça, quem é?!
«Sou eu!»
OK Diogo, mantém-te calmo, tens cinco anos e uns trocos, menos do que gostarias, mas quase seis.[...], p. 14

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Ribeira das Naus

fotografado da «Estampa»
- a última «estampa» da Coleção do DN, com fotos de 1948, em «confronto» com actuais...
- texto que as acompanha:
"Em 18 de Agosto de 1948, o DN anunciava a abertura da nova Avenida da R. das N. [...] Era tanta a pressa de aliviar a paralela Rua do Arsenal, congestionada pelos eléctricos, que foi inaugurada sem estar ainda toda pavimentada. Era verão e a Câmara mandou um autotanque para, à mangueirada, pousar a poeira... A Avenida "mordia" em terrenos do Arsenal da Marinha, abrindo-os para a solução actual, que os recuperou para passeio público. Duas fotos, dois momentos, um mesmo fado, juntar o Tejo a Lisboa."

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Eléctrico 28

Lusa, Mário Cruz




Fotografado a caminho da Graça, com Mural [de Shepard Fairey] 
em «fundo» 
- de artigo do Público 


sexta-feira, 2 de junho de 2017

«Lisboa, Menina e Moça...»), por R. A. P.

ILUST. de João Fazenda
- lida hoje, na habitual página da Visão - em pastiche sarcástico com o famoso poema de Ary dos Santos

- COMP, AQUI

Recortes:
No Castelo ponho um cotovelo mesmo em cima da casa da Monica Belluci, em Alfama descanso o olhar no apartamento do Michael Fassbender,  [...]  À Ribeira encosto a cabeça, almofada da cama do Tejo repleto de navios de cruzeiro, [...] Lisboa menina e moça, menina, da luz que os meus olhos vêem, tão pura, embora ligeiramente obscurecida pelo fumo dos tuk-tuks, teus seios são as colinas, varina cujo nível de vida piorou [...] Cidade a ponto-luz bordada, toalha à beira-mar estendida sobre a qual turistas ébrios curam ressacas. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida [...]No Terreiro eu passo por ti e posso adquirir várias bugigangas em cortiça, [...] Mas na Graça eu vejo-te nua, [...]És mulher da rua porque até às três não vale a pena ires para casa, [...] . E no bairro mais alto do sonho, aquele em que mora o Éric Cantona, ponho um fado [...]Lisboa no meu amor deitada, pagando 350 euros por dormida, cidade por minhas mãos despida para pôr o vestido à venda numa loja de roupa vintage do Bairro Alto. Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida com rendas pela hora da morte.
- Crónica publicada na VISÃO 1265, de 1 de junho de 2017 - [sublinhados acrescentados]

quarta-feira, 29 de março de 2017

domingo, 19 de março de 2017

«Cais do Sodré»

- foi um dos «destaques» de ontem..., na Casa do Público, artigo com vídeo «panorâmico» - AQUI

sexta-feira, 17 de março de 2017

Santa Justa (Elevador) - Ana Marques Gastão

[o livro é de Setembro de 2015; foi um dos que a General Z., há tempos, «determinada»,  «despejou», da (mesa) da Sala, para o Pavimento do ESC...; só agora foi «relocalizado»...

ELEVADOR

O de Santa Justa tem unhas e olhos de
púrpura, não se rende aos pecados dos
homens e, como um monstro, lança os
braços pelas janelas e deixa-se cair pela
escadaria que dá para o Ouro e a Prata.
Cintilam degraus sem glória, graças aos
cabelos de motor na cidade submersa.

Ninguém suporta a estreiteza do espaço
ouvem-se bramidos por dentro do metal, 
o amor gira em controvérsia sabendo que
tudo nele se fundou e logo se desfaz. Algo
detém o homem e a mulher no seu He He
de altura da dor, da largura da falta, do pão
fresco ausente. Ela é perfume virtual. Ele,
já a partir, parece, um avião de asas-cruz.

Ana Marques Gastão, L de Lisboa, 2015, Assírio &  Alvim, p. 46

domingo, 12 de março de 2017

«RUA DA ROSA: O POMBO» - F. A. P.

[J. foi à estante «Nobre», buscar A Musa Irregular, para (re)verificação de «As Balas»...; e estava este outro marcado com «p-it», de outra «ocasião»...; qual, não se lembra, nem porquê, claro ...]

RUA DA ROSA, LISBOA: O POMBO

Se o galo gala o pombo pomba? este pombava
ao sol das três da tarde lisboeta num passeio da Rua da Rosa
senhor de si não digo nem arrogante mas com alguns 
                                                       direitos v. g. do apetite
pombava enquanto carros subiam em segunda aí está cauteloso
o peito inflado as penas do rabo num leque amorável sendo
nele tudo isto a «a procura de Deus derramado na urbe» 
                     a vinte e dois anos e  meio do fim do mundo
ó futurólogos que não me largais

preciso para o voyeur: pombava e dançava e nos intervalos
céleres da dança pombava ainda apesar de tudo obsequioso
com a fêmea não fosse ela sôbolos pneus que rodam
rua acima ficar-se como a amiga de Ignacio Morel (in Ramón J. Sender)

igual a mim quando pombo ia pombando este pois que se trata
de a buscar sempre mesmo repetida
de uma geração a outra aquilo que é soberbo o amor a novidade 


Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso, 1980, transcrito da p. 117 de A Musa Irregular, 1991

sexta-feira, 3 de março de 2017

Rua Luís Monteiro

- é aí que J. estaciona, a dois passsos da Escola do Paraíso, e no tempo da saída de alguns dos moradores, até agora, sem «Emel» 
- a arq. A. B. confirmou que a Ruína foi um «Lavadouro Municipal...»

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Rua Garrett, 37: Querubim Conventual

Fotos de Miguel Manso
- mesmo cedo, a um domingo, rapidamente o espaço encheu; uma das Oficiantes informou que só tinham aberto a 27 de Janeiro...; 
- passar da Lotaria àquele «mar de Amarelo», com Querubim «em volta» é Obra; o artigo da «Fugas», de sábado, relata a preservação das Placas Cerâmicas...:
[...] Os dois anos de obras foram preenchidos por preocupações para conseguir preservar o património da antiga Casa da Sorte: o resultado de um trabalho “com características únicas” de articulação entre um arquitecto (Francisco Conceição Silva, 1922-1982) e um ceramista (Querubim Lapa, 1925-2016), comenta à Fugas Rita Gomes Ferrão, historiadora da Arte. [...]
 [...] uma "joalharia de bolos" conventuais. [...] = «Estendal de Bombas Colesterólicas», para J.]

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Lisboa (ao Som de)

- livro, projeto, objeto...
[relocalizado]
- no endereço da «Letra Pequena» - AQUI

- «Casa do Lançamento» - FRancisca Ramalho - AQUI   e AQUI

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

João do Rio (praça) - Manuel Alegre

PRAÇA JOÃO DO RIO
OU 
O SEGUNDO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE

Lisboa é esta praça com árvores e com pássaros
melros piscos toutinegras rouxinóis
e barcos inconcretos nos telhados onde
o azul do céu é já um mar do avesso
um reflexo do Tejo ou talvez um
pressentimento de ocidente ocaso Cabo Raso
um navegar só verbo em navio nenhum.
Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que não se vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
Lisboa é esta praça e esta janela
minha nau capitânia sobre o insondável
dentro de casa eu vou de caravela
Bartolomeu Dias neste mar inavegável
não há Índia perdida que não possa ser achada
Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
este embarcar no azul até chegar àquela margem
em cuja linha só o abstrato pensamento passa
a margem única e absoluta não mais que pura imagem
sem precisar sequer sair da Praça
João do Rio número onze quarto direito
onde eu Ulisses vou à proa
além de qualquer cabo e qualquer estreito
em Lisboa por dentro de Lisboa.


Manuel Alegre, Livro do Português Errante, 2001, D. Quixote, pp. 39, 40

Inscrito na pedra - imagem do Sítio da C. M. - DAQUI

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

«Da D. Carlos até ao Chile» - Manuel Alegre

LISBOA COM CESÁRIO E MELANCOLIA

1.
Há uma tal intensidade de Cesário
em certas horas de maior melancolia
que até o arranque de um eléctrico solitário
tem um não sei quê de alexandrino ao fim do dia.

2.
Passeei hoje por Lisboa a pé
como por dentro de um poema de Cesário.
Da D. Carlos até ao Chile
foram estrofes e estrofes de ferragens
bugigangas bulício maresia
com imagens do Tejo de passagem
armazéns onde cheira a especiaria
e gente em cujo rosto há ainda um rastro
um resto de viagem e melancolia.

12.11.93
Manuel Alegre - transcrito da p. 817, da Obra Poética, 2000

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Glória (Elevador da)

Do «P3» - DAQUI
«Lisboa Taciturna e um pequeno clarão de luz»
Recortes: [...]  Rui Rodrigues, 39 anos, trabalha como designer (...) e começou a fotografar há cerca de dez anos "de forma esporádica". (...) Viveu em Torres Vedras muitos anos e hoje vive "a cidade com a luz mais bonita do mundo" na companhia do filho, que há dois anos ilumina uma galeria de fotos taciturnas e muitas vezes severas — "velhotes, pessoas cabisbaixas, nevoeiro, o Tejo oriental dos barcos e dos batelões". "(...) Cartier-Bresson disse que "a fotografia é colocar na mesma linha de visão a cabeça, o olhar e o coração". A fotografa de Rui entende esse equilíbrio.

domingo, 27 de novembro de 2016

«Lisboa, Uma Grande Surpresa»

- É o título da exposição que resulta da recente reescrita da História - neste caso da Fotografia «sobre» Lisboa 
- uma década (1898-1908) de exaustivo levantamento - agora «resgatada» de um século de Anonimato 
- é Obra

- história «de uma Lisboa Triste» contada por Sérgio B. Gomes no «P2» de hoje