domingo, 12 de janeiro de 2014

Avenida da Liberdade + «Passeio Público»

Ilustração de João Catarino, para a «crónica urbana» , "Lisboa não sejas francesa», de Alexandra Prado Coelho,  na «Revista 2» do Público de hoje;
- «paralelismos» entre o demolido «Passeio Público  novecentista» e a «avenida à francesa» que daí nasceu 
- Texto completo:         AQUI 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Alfama

«LISBOA

No bairro de Alfama os carros elétricos amarelos chiavam nas subidas.
Ali havia duas prisões. Uma era para ladrões
que acenavam através das grades.
Gritavam, queriam ser fotografados.

"Mas aqui, disse o guarda-freio com um risinho de hesitação,
"aqui estão os políticos." Olhei para a fachada, a fachada,
e no último andar, a uma janela, vi um homem
com um binóculo a olhar para o mar.

Roupa que fora lavada secava pendurada ao sol. As pedras dos muros estavam quentes
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma senhora de Lisboa:
"Aquilo era mesmo verdade ou fui eu que sonhei?"»
 
Tomas TRanstromer, 50 poemas (tradução de Alexandre Pastor), Relógio D'Água Editores
 


domingo, 29 de dezembro de 2013

Largo de S. Domingos

Ilustração de Mónica Cid para a «Crónica Urbana», de Alexandra Prado Coelho na «Revista 2» do Público de hoje - dedicada à «Ginjinha  ESpinheira»

sábado, 12 de outubro de 2013

Chafariz de Dentro

.S.,então D., lembra-se de aí ter passado inúmeras vezes, com o PAI VELHO, no repetido «passeio de Domingo» da I. Ou de ir visitar a prima S., que morava perto. Mas continua por fazer o «passeio geometrizado», há muito planeado, relembrado por este roteiro por «fontes e chafarizes»(ora Selados), escrito por Alexandra Prado Coelho, na sua habitual «Crónica Urbana» («Os  Hamams de Alfama»), na «Revista 2», do Público de 5 de Outubro, com ilust. de Mónica Cid.        - TEXTO - AQUI




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Lisboa «Empilhada» de Ana Aragão

Recolhido do «P3», supl.º do Público - da série «Cidades Empilhadas»  (Espinho, em maioria...)  AQUI

domingo, 22 de setembro de 2013

Santo Antão (Portas de) + São José

Roteiro, do Histórico e do Quotidiano ( segunda edição da Lisbon Week), em vídeos e fotos («Um mergulho nas...»), das duas ruas
 
- S. sempre foi passante esporádico quer por uma, quer por outra, excepto na fase SMT (75 a 78), em que estava diariamente na R. S., «paralela» à  de S. José
 
AQUI - em endereço do Público

Estufa Fria (Lago)

Ilust. de João Catarino, para «Crónica»,de Alexandra P. Coelho, sobre espia russa, na II Guerra
 («Solange à espera na Rotunda») na Revista 2, p. 42, do Público de hoje - [...]

E muitos, procurando a paz que a Europa tinha perdido e tentando esquecer a situação desesperada que viviam, passavam dias na Estufa Fria, ou, possivelmente, olhando para o lago junto a ela, vendo os patos sair da água e subir para a margem, para daí a pouco voltarem a mergulhar.
Mas se a Estufa Fria parecia um paraíso perdido, [...]   [ver anterior: http://lisboemas.blogspot.pt/2013/07/em-lisboa-fingir-se-feliz.html
[se o P. E. VIII fora um dos principais destinos dos passeios da I., no «Lago dos patos» leu S. O que diz Molero, na época da SMT. Aí passava as tardes, nas pausas de MED. Devagar leu. muito devagar]

[quanto ao «Hotel Avenida Palace, nos Restauradores, conhecido como pró-germânico» , também por aí andou S. - de Out de 84 a Out de 85 - alguns clientes ainda evocavam  histórias destas, 40 anos depois...]

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Lisboa, como «livro fantástico», por Fabio Salvo



"Não tirar nada que não sejam fotografias e não deixar nada além de pegadas. Os princípios básicos de um explorador urbano encaixam perfeitamente em "Convento das Mónicas - Capítulo 7", uma exploração de Fabio Salvo, fotógrafo italiano [...] "   NO P3, do Público                  - AQUI                    

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ribeira das Naus + Almada

Crónica de Alexandra Prado Coelho e ilustração de João Catarino,  na «Revista 2» do Público, de 25 - 08, p. 34 - texto a ler       AQUI
Apoiada sobretudo na Fotobiografia, de Joaquim Vieira, a crónica roteiriza a obra «Pública» de Almada, em Lisboa 

Recorte final:

[...]    “Olha, aquele é o Almada Negreiros”, diz uma avó a uma menina de vestido às bolinhas que passeia na Ribeira das Naus. A menina, talvez de uns sete ou oito anos, provavelmente não sabe nada sobre esse homem que nasceu há 120, masolha para os dois olhos e as linhas rectas que deles saem, e talvez se interrogue se é de riso ou espanto, ironia ou mágoa, zanga ou sabedoria, esse olhar que nos interpela, logo antes do céu e do mar.

terça-feira, 30 de julho de 2013

S. Pedro de Alcântara - «Lisboa à janela fotográfica»

- era no tempo, no «ano do desmantelamento inicial» [2009]
- era no tempo em que S. ainda pedia PORTF [...]
- era num segundo «Bloco», de ADV [...]

- num dos itens - [«cruzando» Cesário com  «Smoke» (1995)] - pedia-se o registo, escrito e plástico,  dum  «cantinho» de Lisboa, à mesma hora, durante «x» [...], formando uma «série» [...]

- S. já não se lembra por que motivo S. M. M.
(excelente Qd.a, que foi para CIN - ... e «eco» disso encontrou agora S...)
escolheu S. Pedro de Alcântara e, sobretudo, tal hora [...]
- fotografou e comentou e «aguentou-se»

RECORTES (do exercício, ora «reaparecido», durante o RASGA-RASGA [...]

         Durante sete dias consecutivos, segui a «vida do miradouro» de S. Pedro de Âlcantara e tentei perceber como é que este lugar tão especial podia transmitir a essência de Lisboa. Infelizmente [...]
- Oito e meia da manhã, segunda-feira. [..] Não existe vida[...] para além de uma senhora [que] [...] observa melancolicamente a panorâmica [...]
- Oito e vinte e três [...], terça-feira. Os raios solares penetram por entre as folhagens e oferecem um ambiente deslumbrante, num jogo de luz e sombra, mas não está lá ninguém [...]
- Oito e vinte e sete [...], quarta-feira. [...] Não se ouve nem um único pombo, sequer! [...]
- Oito e trinta e quatro [...], sexta-feira. A luz voltou![...]
[...]

domingo, 21 de julho de 2013

Rossio: «Em Lisboa, fingir-se feliz»

Ilustração, de Mónica Cid,  para artigo de Alexandra Prado Coelho («Crónica Urbana» - «Em Lisboa fingíamos que éramos felizes», na «Revista 2», do Público, de 13-07-2013 ) sobre o Rossio dos Refugiados, do tempo da II Guerra, um livro recente (de Margarida de Magalhães Ramalho) e uma exposição (no Torreão Poente do T. do P.)
 


[para S., o R. ainda hoje é Roteiro e Paragem - tarda a reabilitação do Edificado Envolvente
 - quanto ao assunto, sempre o interessou e fá-lo «regressar» ao Tempo do A. P. (out de 85 a out de 86) e a um certo tipo de estrangeiros que contavam ao B., que então era, que aí iam porque tinham lido... ]

quarta-feira, 1 de maio de 2013

S. Paulo (as «línguas» que eram pedras»)

[manhã cedo, lá foi T. - Graça, S. Luzia, Sé - pela primeira vez, alcançou a [que virá a ser a Nova] «Ribeira das Naus»
 - «internou-se» mais na sua Geografia de I., e o que viu, à volta da Praça de S. Paulo, deixou-o «triste»...]
[...]
      Por toda a parte se queimava alecrim para afastar a epidemia, nas ruas, nas entradas das casas, principalmente nas casas dos doentes, ficava o ar azulado de fumo, e cheiroso, nem parecia a fétida cidade dos dias saudáveis. Havia grande procura de línguas de S. Paulo, que são pedras com o feitio de línguas de pássaro, achadas nas praias que de S. Paulo vão até Santos, será por santidade própria dos lugares ou por santificação que os nomes lhes dêem, o que toda a gente sabe é que tais pedras [...] são de soberana virtude contra as febres malignas justamente, porque, sendo feitas de subtilíssimo pó, podem mitigar o demasiado calor, aliviar as areias, e algumas vezes provocar suor. [...]

                                        José Saramago, Memorial do Convento, 51.ª ed., pp. 244, 245

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lisboa (um gato de) - Vasco Graça Moura

um gato de lisboa

gato manso das velhotas
de alfama e da madragoa
dormitas sem cambalhotas
e nunca leste o pessoa.

quando ronronas não notas
tanto espreitar da patroa
nem quer's saber das gaivotas
voando no céu à toa.

dos peixes só vês as rotas
pela espinha ou quando ecoa
o pregão com cheiro às lotas
onde os despeja a canoa.

és livre e nisso te esgotas
sem remorso que te doa,
e ao peitoril não desbotas
e esta luz não te magoa,

nem vês corvos nem gaivotas
empoleirados na proa,
mas de corvos e gaivotas
faz-se o brasão de lisboa.

Vasco Graça Moura, Poesia 2001 - 2005, Lisboa, Círculo de Leitores

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Alcântara

«A MENSAGEM ESTÁ NAS PAREDES»
- crónica de Alexandra Prado Coelho,na «Revista 2» do Público, de 02-12-2012,  - ilustração de João Catarino

 

domingo, 18 de novembro de 2012

Avenida da Liberdade - Eça e O´Neill

[«relocalizado» o primeiro vídeo da série «lugares bem lidos», do DN]

- AQUI

Avenida da Liberdade - (Hotel) Vi(c)tória



O arquitecto Cassiano Branco desenhou uma fachada inusitada, num edifício que, desde a sua construção nos anos 1930, sempre se destacou no meio de uma Avenida da Liberdade mais clássica.


Ilustração de Eduardo Salavisa para a Crónica «Nazis e Comunistas na Avenida», de Alexandra Prado Coelho, na «Revista 2» do Público, 18-11-2012


AQUI

Recorte:
O Victória tinha "instalações modelares de rara comodidade, com todo o conforto", às quais se somava, a acreditar num anúncio da época, um "grande terraço com emocionante vista dominando toda a cidade". [...]
Ao que parece, o conforto do Victória convenceu os espiões alemães, que, durante a II Guerra Mundial, andavam atarefadíssimos por Lisboa, e, nos intervalos, gostavam de descansar nos quartos, no bar e no restaurante. Conta ainda o Restos de Colecção [blogue que «informa» a Crónica] que dos hotéis pró-Eixo, em que se incluíam o Avenida Palace e o Tivoli, era o Victória  o considerado mais perigoso pelos americanos.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Terreiro do Paço - Reconstruído

Vídeo do projeto internacional que recria a Lisboas de antes de 1755 - 

 "Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa Pré-Terramoto" - desenvolvido por uma equipa coordenada pelos historiadores Alexandra Gago da Câmara, Helena Murteira e Paulo Rodrigues, investigadores do Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora, que conta com a parceria da empresa Beta Technologies.  [transcrito do artigo do Expresso] Vídeo reproduzido no Expresso

[Abrir na página do Projecto e ver também, entre outros Doc., a «Modelação» da «Real Ópera do Tejo»]

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rua de S. Paulo

O poema de Alegre, já nesta Casa Colocado, regressa, hoje, agora em mais um vídeo da série «Lugares Bem Lidos» - «Os cheiros e os sons do Oriente em Lisboa», no endereço eletrónico do Diário de Notícias: AQUI
 
 

sábado, 6 de outubro de 2012

Lisboa, de Campos, por Júdice


Lisboa com suas casas de várias cores,
Lisboa com suas cores de várias casas,
Lisboa de tantas cores, Lisboa de tantas casas.

Lisboa que acorda do Rocio ao castelo,
Mais tarde ou mais cedo, ao acordar dos cafés,
Mais cedo ou mais tarde, ao acordar nos bares,

Lisboa de tabernas que já fecharam,
Lisboa bêbeda em alfamas de outrora,
Lisboa de carne e de pedra.

Nuno Júdice
AA.VV., Histórias do Castelo, Edição EGEAC-Castelo de S. Jorge, 2010

Lisboa com suas casas / De várias cores - Campos

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores ...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.


Se, de noite, deitado mas desperto
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.


Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.


11-05-1934

Álvaro de Campos

Acordar, Lisboa - Campos

[alguns destes versos citados, desta vez, em mais um  álbum de Eduardo Gajeiro, sobre Lisboa, recentemente editado e que T. folheou ontem, na FNC - «não há verba, não há»]
 
[com cortes; ver, «quase completo», por exemplo, no «MULTIPESSOA»
 
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da rua do Ouro
Acordar do Rossio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, a gare que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.
 
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo
[...]          (...)
 Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne.
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode
acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
[...]          (...)
 
A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.
 
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
[...]

[não datado]
 
Transcrito das páginas 97 e 98 da edição da poesia de Campos organizada por Teresa Rita Lopes para a Assírio & Alvim, 2002
 
 
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lisboa - «City Box»


T. subscreve tal mapa - Santa Catarina (até aos 17, 18); Santa Justa (entre os 20 e os 25, 26); Senhora do Monte (dos 41 «para cá...»)  - well
- de Catarina Sobral, Ilustradora, «O mundo das texturas literárias», de C. S. - «captado» no P3 - AQUI


 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Lisboa de Cesário e de Sophia


CESÁRIO VERDE

Quis dizer o mais claro e o mais corrente
Em fala chã e em lúcida esquadria
Ser e dizer na justa luz do dia
Falar claro falar limpo falar rente


 Porém nas roucas ruas da cidade
A nítida pupila se alucina
Cães se miram no vidro de retina
E ele vai naufragando como um barco


 Amou vinhas e searas e campinas
Horizontes honestos e lavados
Mas bebeu a cidade a longos tragos
Deambulou por praças por esquinas


Fugiu da peste e da melancolia
Livre se quis e não servo dos fados
Diurno se quis porém a luzidia
Noite assombrou os olhos dilatados


 Reflectindo o tremor da luz nas margens
Entre ruelas vê-se ao fundo o rio
Ele o viu com seus olhos de navio
Atentos à surpresa das imagens

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Ilhas, 1990

domingo, 16 de setembro de 2012

Lisboa de Cesário e de Eugénio

[abre amanhã mais Uma Estação;- o Agricultor estará no seu Campo;
- nunca foi Fácil; muito menos em tempos de «descartáveis»]

[e há o reencontro com os textos de outras, anteriores Estações]

EM LISBOA COM CESÁRIO VERDE

Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que um gato persa;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo, em flor também;
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu sei já bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
de um verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua.


1986

Eugénio de Andrade, Homenagens e outros epitáfios [1.ª ed: 1974]

Transcrito das páginas 249-50 da Poesia, 2000

 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lisboa remota

[Transplantado do «Alpabiblio»]


III
As suas mais remotas imagens
de Lisboa: casas cor-de-rosa, afogueadas pelo Sol;
varandas confusas; nítidos degraus;
luzes de eléctricos, ao crepúsculo,
a fazerem dançar a névoa
sobre carris humedecidos.

David Mourão-Ferreira, Auto-retrato - primeiros traços
(transcrito de Jogo de espelhos, 2.ª ed, 2001

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Rua do Carmo

- Nativo de S. Paulo, G. circulava pelas ruas dos Territórios vizinhos;

- Lembra-se bem do  «sr Praças», já bem idoso - Marceneiro cujo tranquilo labor o Menino G. observava, na Oficina de porta aberta - atulhada de móveis, de pó... da Calçada Salvador Correia de Sá   [onde, no 13, D. nasceu...]

- o filho mais velho - A. C. - que «trabalha há 43 anos na Rua do Carmo» - agora na «Dona Elvira» aí estacionada, após o grande incêndio (que destruiu tb. a loja da - «Melodia»?) [...] em 25 - 08 - 88 - está cada vez mais parecido com a Imagem que G. conserva do pai «Praças» [é o primeiro que lê, no vídeo...]

  - AQUI     (o vídeo «já foi à vida» - estes Arquivos não são Eternos; pois é)

domingo, 19 de agosto de 2012

S. Paulo - Conservatória

Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Fotográfico - Público, 19-08-2012, p. 32
- À Casa da Moeda - aqui retratada no início do Século - G., ainda Menino na década de 60 - já a «frequentou» como Conservatória [do Registo]Automóvel
- grande era (ainda) o Analfabetismo e A. L. - tio por «afinidade» - que levava G. a passear pela «beira Tejo», ali tão perto, e lhe «dava lições de Vida» - vivia de «biscatear» o preenchimento dos Impressos, fazendo «escritório» na Baiuca do Pai Velho
-  G. fazia o «Vaivém», atravessando a rua, primeiro, a meio da manhã, a «recolher» os pedidos, depois, a levar os almoços, recolher a loiça e receber [havia «gorjinhas», para comprar «bonecos da bola»]- enquanto esperava, «abria os olhos» - funcionários de baixos salários tinham carros e vivendas...
- Well
- cedo se fez Analista

domingo, 29 de julho de 2012

Rua dos Lagares, Mouraria

[Zmab]

«Esta Lisboa de outras eras»,
Crónica de Alexandra Prado Coelho, Ilustrações de  Eduardo Salavisa.
Público, «2», 29 - 07 - 2012, p. 

Protagonista: Fernando Baguinho, sapateiro, 78 anos.

Recortes:
[,..]  Na escola encantava-se com a Geografia e sobretudo com a História de Portugal. Volta-se para trás e de uma prateleira tira um pesado álbum que começa a folhear. Todos os reis portugueses estão ali representados no estilo inconfundível dos quadros do senhor Baguinho: um desenho recortado de algum sítio, uma moldura de cartolina desenhada por ele e uma quadra a propósito. E a História de Portugal assim resumida. [...]
      Lembra-se da mulher da fava-rica, de manhãzinha pelas ruas a apregoar. E tem dezenas de quadros com todos os pregões de Lisboa, [...]
       A Lisboa que já desapareceu continua viva nas paredes da loja de sapateiro do senhor Baguinho. Há imagens do Arco do Marquês do Alegrete, destruído nos anos 40 para dar lugar à actual Praça do Martim Moniz, do Teatro Apolo, demolido no final dos anos 1950, do velho mercado da Praça da Figueira, “praça de grande saudade, muito ao gosto popular”, [...]
       Nunca se afastou muito dali. Viajou entre ruas da Mouraria, da Rua João do Outeiro, “berço da minha saudade”, [ ...] As histórias sucedem-se e é como se as ruas lá fora se enchessem de sons — os pregões da mulher da fava-rica, Fernando Maurício a cantar o fado, Belarmino a jogar boxe no clube, [...]

terça-feira, 24 de julho de 2012

Janelas

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no céu não se desvia,
mas que perto do rio já não voa…
[…]

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal ou a arte de amar (1.ª ed: 1962),
da p. 173 da 2.ª ed. de Obra poética, 1948-1988

terça-feira, 3 de julho de 2012

Glória (Calçada e Ascensor)

A)
[entre  Outubro de 76 e Abril de 78, depois da meia-noite, o percurso:
Rodrigues Sampaio - Avenida da Liberdade (a ziguezaguear pelos «ofertantes» de Liamba e afins) - Calçada da Glória - A PÉ, claro - S. Roque, Rua do Mundo ou da Misericórdia - Camões, Loreto; Duarte Belo, S. Paulo]
B)
[entre Abril de 87 e Dezembro de 89 - tarde e noite - a ouvir o  CHIAR  do ASC,  do Bar do H. S. A. - poiso para fazer finalmente uma FAC - mas não num só ano, como certos I.]

Com a célebre canção (87!) dos Radio MACAU - mais uma vez, da série «Lugares bem lidos», do Diário de Notícias]

 - «SUBIR»,  por AQUI



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rua da Atalaia - Prado Coelho + Norberto de Araújo + Rui Ochoa

Também da série »lugares bem lidos», do Diário de Notícias : AQUI

Rua da Atalaia em 82 -
Foto de Rui Ochoa, da «Fotogaleria» do «Expresso, em 2023 . DAQUI


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Tejo - Estuário - Almada e Torga

Da série «Lugares bem Lidos» , do Diário de Notícias
(«o Rio  que o País merecia»)

http://www.dn.pt/videos/programa.aspx?content_id=4236365&seccao=lugares%20bem%20lidos

Rua da Bica de Duarte Belo

- aproximadamente entre os 5-6 e os 9-10 - terá sido? - perguntar à C. (mais 6 anos) - R. morou «lá mais para baixo» -
- há Imagens, poucas -
- no n.º 13, 2.º ou 3.º andar, seja como for, com varanda para o Tejo-
onde o Menino, horas a fio, aprendia a «ser sozinho»


B. S. colocou a fotografia - sua, dela, em princípio -
e um «cinemático rascunho» que merece ser lido: MUSA

sábado, 2 de junho de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

«Santa Justa» - José Luiz Tavares

Ascensores, Lisboa tem 3;
- para qual deles remeterá o poema, o soneto, de José Luiz Tavares, poeta cabo-verdiano?;
- G. arrisca que sabe*

12.

Já não sobem varinas de ginga e canastra
neste elevador. Mas vai a gente em altiva
arribação, manso ronrom de roldana já gasta,
a astúcia das mãos mantém a atenção viva,


que sempre foi o desvelo pelo alheio sageza
que prescinde de anúncio. Confiável estafeta
da solidão, prossigo no encalço duma esbelteza
nórdica, inda um aviso em forma de tabuleta


rezasse: “cuidado, a beleza mata.” Mas eu
durmo nos telhados da dor, com uma
cidade em gangrena, pois já está salvo


o que com  a própria língua sustém o céu.
Não dói muito a ausência de relva ou caruma
quando a urbe inteira se estende assim em alvo.


José Luiz Tavares, “Lisbon Blues”, in Relâmpago, n.º 20, 2007


*... errou; é o de Santa Justa; quer na edição brasileira [...]. quer finalmente na portuguesa, da Abysmo (com ilustrações de Pierre Pratt) vem identificado...(p. 99, 11.º na secção «Último Cabo»